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Número 775,

Cultura

Exposição

Memórias de vestir a alma

por Ana Ferraz publicado 17/11/2013 15h54, última modificação 18/11/2013 10h18
Mostra devolve à cena Sérgio Britto, ator que viveu os mais importantes momentos do teatro
Divulgação
Sérgio Brito

Brito em a Última Gravação de Krapp, em 2008

"Eu quero desabotoar minha camisa de memórias e provar ao público que ainda estou vivo.” Perpetuada em vídeo, a frase de Sérgio Britto soa convidativa, embebida na energia vital do ator que não sabia fazer nada de modo neutro. Morto em 2011 de insuficiência respiratória, o homem que construiu uma relação amorosa com a arte da representação, estratificada ao longo de 65 anos de proscênio, convida o espectador a conhecer sua trajetória. “Esta é a primeira homenagem de visibilidade”, diz Marilia Brito, sobrinha do ator e coordenadora da Ocupação Sérgio Britto, que o Itaú Cultural realiza do sábado 23 a 19 de janeiro de 2014. “É emocionante, em especial no ano em que ele completaria 90 anos. São sessões de vídeo de 20 minutos cada com trechos de ensaios, entrevistas, encenações.” Na sala com 35 cadeiras há somente paredes negras e nuas para a projeção de imagens. Em off, a voz de Britto permeia a exibição.

“Ele era um grande homem de teatro. Mostramos a trajetória desde o início, quando Jerusa Camões o conheceu, ele ainda estudante de medicina, e o chamou para participar do Teatro Universitário. Britto era fascinado pelo ambiente cultural. A Ocupação mostra seu envolvimento absoluto, sua entrega total ao teatro”, afirma o curador, Hermes Frederico, coordenador da Casa das Artes de Laranjeiras. A instituição, que teve Britto entre seus criadores, receberá o acervo angariado ao longo da vida. “Ele guardava tudo”, diz Marilia. São 10 mil fotos e 20 livros repletos de recortes de jornais sobre peças.

Na avaliação do curador,  essa minuciosa organização das coisas denota o vínculo amoroso com a arte. Ao todo, o ator nascido no Rio de Janeiro dirigiu, produziu e participou de 130 peças. Integrou o Teatro dos Doze, Teatro de Arena, Teatro Brasileiro de Comédia e com Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Fernanda Montenegro e Fernando Torres fundou o Teatro dos Sete. Foi um dos pioneiros do teleteatro na tevê, atuou em minisséries e novelas. “Ele viveu os momentos mais decisivos do teatro brasileiro”

Ocupação Sérgio Britto

Itaú Cultural, São Paulo

De 23 de novembro a 19 de janeiro de 2014