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Número 773,

Cultura

Bravo!

Sem gênero

por Orlando Margarido — publicado 03/11/2013 07h37, última modificação 03/11/2013 07h48
Em Amor bandido, de Jeff Nichols, Matthew McCounaghey vive um anti-herói isolado em uma ilha à espera da decisão da mulher que ama
Divulgação
filme

McCounaghey, anti-herói mergulhado em problemas

O diretor Jeff Nichols tem o dom de conduzir os gêneros em sua cinematografia sem se ater a nenhum. O Abrigo (2011), disponível apenas em DVD no Brasil, coloca-se entre o drama e o thriller psicológico para tratar da obsessão de um homem tomado por visões em construir um esconderijo seguro para a família. Amor Bandido, estreia da sexta 1°, amplia esses aspectos anteriores para acolher a paixão que em grande medida se relata também obsessiva. Isso leva o protagonista de Matthew McCounaghey a se manter isolado em uma ilha do Rio Mississippi à espera da decisão da mulher que ama.

Mud é seu nome, simbólico da situação de fugitivo em que se encontra depois de matar o filho de um mandatário local. Está na lama, literal e metaforicamente. Sobre ele saberemos quando dois garotos, moradores em casas à beira do rio, descobrem seu paradeiro e procuram ajudá-lo. A amizade se firma mais com Ellis (Tye Sheridan), filho de pais rudes e pouco atentos e que encontra em Mud melhor sintonia. É o contrário da figura paterna, dá conselhos sobre mulheres, por exemplo, enquanto espera a sua (Reese Whiterspoon) e enfrenta os perseguidores.

Num tom de início aventureiro, mas de forte carga dramática, entre relações familiares e de violência, é possível detectar as origens na literatura americana reveladora de um universo como a de Mark Twain

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