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Número 773,

Tecnologia

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Celular ou Lego?

por Felipe Marra Mendonça publicado 04/11/2013 05h55, última modificação 04/11/2013 06h05
Executivo da Motorola defende aparelhos construídos em módulos
Divulgação
celulares

Quebra-cabeça. O usuário trocaria apenas a câmera por uma mais potente

Você deveria ter o poder de decidir do que o seu telefone é capaz, sua aparência, onde e do que foi feito, quanto custa e quanto tempo você quer ficar com ele.” A ideia é de Paul Eremenko, vice-presidente de tecnologia avançada e projetos da Motorola, e foi escrita num blog da empresa (http://motorola-blog.blogspot.co.uk).

Parece até um conceito óbvio, qualquer consumidor deveria poder optar por tudo isso quando escolhe um smartphone, mas o que Eremenko propõe é um pouco mais radical: é construir um telefone que tenha uma estrutura central com módulos que podem ser adicionados ou retirados de acordo com a vontade de quem o usa.

Quem precisa de uma câmera mais poderosa troca o módulo correspondente, ou quem precisa de uma bateria com maior autonomia faz o mesmo. Caso um novo processador seja lançado um ano mais tarde e seja muito mais poderoso, troca-se a peça que o acomoda. O mesmo vale para a tela ou qualquer outro componente.

“O módulo pode ser qualquer coisa, até algo que ainda nem pensamos! Estivemos trabalhando no Projeto Ara por mais de um ano e recentemente nos encontramos com Dave Hakkens, criador do Phonebloks (https://phonebloks.com). Nos demos conta de termos uma visão comum: desenvolver uma plataforma que é modular, customizável e feita para o mundo inteiro. Fizemos o trabalho técnico, Dave criou uma comunidade em torno do conceito”, escreveu Eremenko.

Hakkens destaca o lado de sustentabilidade da empreitada. “Além da possibilidade de consertar e dar um upgrade no telefone, você também pode escolher quais marcas quer apoiar. Na nossa plataforma qualquer companhia pode fazer módulos. Assim o consumidor pode decidir o que quer apoiar. Você pode comprar módulos biodegradáveis ou pro­curar módulos que são produzidos num raio de 100 quilômetros de onde você está, ou até comprar módulos usados. A escolha é sua”, explica o criador do Phonebloks.

A parceria entre Motorola e Hakkens pode tornar-se uma bela alternativa ao modelo atual, em que consumidores ficam ansiosos pelo mais novo lançamento em smartphones, comprando aparelhos que fazem pouco mais do que o modelo antigo. E qualquer iniciativa que leve a menos aparelhos sendo descartados, poluindo o meio ambiente, é sempre válida.