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Número 772,

Cultura

Cinema

Mal obscuro

por Orlando Margarido — publicado 27/10/2013 09h40, última modificação 27/10/2013 10h08
Bastardos é Les Salauds no original francês. Em ambos os usos a conotação que se quer dar é a de canalha. Pois há muitas formas de canalhice nas referências deste drama
Divulgação
Bastardos

Chiara Mastroianni: a vileza tem múltiplas faces

Bastardos
Claire Denis

Bastardos, estreia da sexta 25, deve ter seu título relevado ou tomado de desconfiança a quem for conferir o novo filme da francesa Claire Denis. Do francês, Les Salauds foi transposto ao inglês como Bastards. Em ambos os usos a conotação que se quer dar é a de canalha. Pois há muitas formas de canalhice nas referências deste drama, a partir mesmo da faísca da história, um suicídio provocado pela falência de um negócio. Isso em um universo de crise europeia tem seu significado, ainda que óbvio, no fracasso  de um credo capitalista e global. Mas a trama se fechará em situações mais intimistas nem tão evidentes, e a canalhice se tornará moral.

No centro está Marco (Vincent Lindon), obrigado a tomar as rédeas da situação familiar depois da morte do cunhado, o que pressupõe conviver com a irmã hostil e a sobrinha desnorteada. Instala-se num apartamento vizinho a uma bela mulher (Chiara Mastroianni), que descobre ser amante de rico empresário. Na medida em que as relações se intensificam, expõe-se o caráter vicioso e degradado dessas, incluídos o abuso sexual e a chantagem psicológica. Mas na busca de um confronto mais radical, num apelo à violência, outra realidade transparece e Claire nos aponta as vítimas como cientes e determinantes de seu destino.