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Número 772,

Cultura

Bravo! / Cinema

Cinema dos sonhos

por Orlando Margarido — publicado 27/10/2013 09h38
"Tornatore - Todo filme é meu primeiro filme" se destaca sobretudo pelo seu estilo cinematográfico e sua articulada explanação
Divulgação
Cinema Paradiso

O cineasta (dire.) à época do lançamento de Cinema Paradiso

Tornatore - Todo filme é meu primeiro filme
Luciano Barcaroli e Gerardo Panichi

De projecionista eventual a diretor do filme mais caro da Itália, Giuseppe Tornatore parece ter deixado outras contas a acertar além daquela produzida pelo fracasso de Baarìa – A porta do vento. Tornatore é o cineasta amado internacionalmente por Cinema Paradiso, Oscar de filme estrangeiro para a Itália. O país, porém, não o perdoou por gastar 25 milhões de euros para o monumental épico. A crítica demoliu e o público recuou das salas, testemunha também de um entrevero entre o diretor e o então premier Silvio Berlusconi, produtor do longa.

Poderia ser destinado a refletir sobre esses e outros desentendimentos o documentário Giuseppe Tornatore – Todo filme é meu primeiro filme, de Luciano Barcaroli e Gerardo Panichi, que a 37ª Mostra exibe sábado, às 19h50, no Cine Livraria Cultura 2, e quinta 31, às 11 horas, na Faap. Mas é, sobretudo, o estilo cinematográfico, a memória e temas prediletos que se assinala aqui, em que pesem os desapontamentos de um homem hoje isolado em uma vila próxima a Roma.

Como em Baarìa, variação no dialeto siciliano para Bagheria, cidade onde nasceu, sua fonte é da lembrança infantil que forma o homem, daí a presença do personagem menino como em Cinema Paradiso. Apesar do tom épico, diz querer representar não o todo italiano, mas o lugar à mesa que ocupava em casa. Sua articulada explanação, uma das surpresas do filme, deve valer para que se repense o resultado do sonho juvenil de Tornatore em fazer cinema, enquanto projetava as películas numa hoje abandonada sala de vilarejo.