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Número 771,

Sociedade

Blogs do Além

Os homens preferem eles mesmos

por Vitor Knijnik e Rafael Cal — publicado 23/10/2013 05h55, última modificação 23/10/2013 18h08
O problema é que ninguém entendeu o texto do Caetano. Imaginem ir a público que tive um caso com os irmãos Kennedy?
Do Blog da Marilyn
Marilyn Monroe

Sobre mim: O maior símbolo de desejo criado pelo homem, depois da Apple

Em meio a tantas notícias urgentes, não sei se vocês leram a respeito das seis chapas de raios X e um arquivo médio que estão indo a leilão nos Estados Unidos. O assunto para os possíveis interessados está no fato de que tais documentos indicam que eu me submeti a cirurgias plásticas. Se você não prestou atenção a essa notícia, entre para o grupo Procure Não Saber. Não vale a pena.

Aproveito para prestar minha solidariedade a tantas personalidades brasileiras que têm se posicionado contra a questão das biografias não autorizadas. Vejam o meu caso, por exemplo: até hoje o pessoal da Chanel usa aquela minha história para fazer propaganda de perfume. E quanto eu ganhei com isso? Nada, queridos. Quantas moças por aí têm seus vestidos levantados pelo vento na rua todos os dias? Não ganho nada. E as mulheres que forjam pintas ao lado da boca, já viram? E as lojas de fantasias? Sabem o que ganhei? Isso mesmo, zero. O Marlon Brando foi outro esperto: disse ter tido um caso comigo. E o que eu ganhei? Nada, nem um tablete de manteiga.

Penso que as pessoas entenderiam a questão se parassem pra analisar o todo. O problema é que ninguém entendeu o texto do Caetano. Não que isso seja uma coisa nova, mas atrapalhou um pouco o processo neste momento. Já pararam pra pensar se eu saísse por aí dizendo as coisas que quisesse? Imaginem ir a público que tive um caso com os irmãos Kennedy? Olha, queridos, acredito que há coisas que devem ser deixadas pra lá. Direito à privacidade é legítimo, não é pra isso que existe o Photoshop, afinal de contas? A gente esconde o desvio de septo, as estrias, as olheiras e os adversários políticos. Se tem uma coisa que essas histórias provam é que só os diamantes são eternos mesmo. Beleza, espírito libertário, democratização do acesso à informação, tudo passa. E até biografias inteiras acabam.

Dessa forma, só me resta tentar fazê-los entender que nada disso vale a pena. Isso tudo pode macular a ideia de que o maior símbolo sexual de todos os tempos era uma beleza natural. A indústria da cirurgia plástica não precisa de mais estímulos. Se esse tipo de especulação prosperar, nenhuma reputação ficará de pé. Daqui a pouco vão investigar se a Madonna faz uso de playback, se o Serra tem amigos e se o Obama redige seus próprios discursos. Por falar nisso, happy birthday, mister president. Ah, não é hoje? Sorry, não consigo evitar.

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