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Número 771,

Cultura

Cinema

Mar de intolerância

por Orlando Margarido — publicado 20/10/2013 09h53, última modificação 20/10/2013 10h42
"Terra Firme" apresenta um debate sobre a imigração ilegal, realidade que volta à tona e se impõe à força na recente tragédia no mar de Lampedusa
Divulgação
Terra Firme

Na tragédia dos imigrantes, o impasse moral do país

Terra Firme
Emanuele Crialese

Quando Terra Firme foi exibido no Festival de Veneza em 2011 era desnecessário aludir à realidade que movia a ficção de Emanuele Crialese. O debate sobre a imigração ilegal latejava no panorama político e cinematográfico italiano em pelo menos outros três filmes. Agora é o caso de atentar que essa mesma realidade se impõe à força com uma recente tragédia no mar de Lampedusa, onde morreram centenas de africanos. Crialese, sempre alerta a razões injustificadas, ficaria chocado uma segunda vez.

A primeira foi ao se comover com um desses tantos incidentes na mesma costa anos atrás e se decidir pelo filme. Contou em entrevista que, embora idealizasse uma ficção, pretendeu crivar o filme com um recurso real, e este é a presença no elenco de uma sobrevivente do desastre, Timnit T. Ela é um dos pivôs da trama, quando recolhida à deriva com a família por um jovem pescador (Giuseppe Fiorello) e seu avô no barco. Estes passam a responder às autoridades pelo resgate dos clandestinos, proibido pela legislação. Jogado o debate de teor inflamado na Itália, Crialese também pagou seu preço ao ser questionado sobre ser favorável aos imigrantes, e respondeu duvidar da dita civilidade do país. Mas conquistou igualmente respeito ao merecer o Prêmio Especial do Júri.

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