Você está aqui: Página Inicial / Revista / Como se constrói uma celebridade / Manipular com gosto
Número 771,

Cultura

Exposição

Manipular com gosto

por Rosane Pavam publicado 19/10/2013 09h51, última modificação 19/10/2013 11h02
Em 1981, quando milhares de garimpeiros correram ao Pará em busca de ouro, Rudi Böhm os acompanhou em um documentário de 26 minutos
Divulgação
Serra Pelada

Na Serra Pelada vista por Rudi Böhm, uma dimensão de eternidade

Relatos & Retratos
Rudi Böhm
Fotogaleria Ímã, São Paulo

Rudi Böhm é um manipulador. Ele mexe a imagem fotográfica em nome do realce e de sua força. Não é novo o seu fazer, uma vez que a fotografia se constrói mesmo de interferências sobre a realidade, da composição à revelação. A diferença é que o austríaco-brasileiro Böhm, aos 66 anos, declara-se um dinossauro da emulsão, apaixonado pela alquimia necessária à transposição das imagens ao papel, e muito aproximado, por meio desse delicado fazer, às exigências das artes plásticas.

Manipular, para esse artista, é “delícia”. Ele pode, por exemplo, expor a emulsão em papel fotográfico ao sol e fundir a imagem obtida com outras escaneadas, apenas para que dessa mistura de procedimentos surja uma poderosa simbologia. Com sua arte, desloca o material fotografado para uma dimensão de eternidade. O tempo da imagem não existe para ele, o que existe é a imagem em si, como diz.

Em 1981, quando milhares de garimpeiros correram ao Pará em busca de ouro, Böhm os acompanhou em um documentário de 26 minutos, usado agora como referência do cotidiano do garimpo no longa-metragem Serra Pelada, de Heitor Dhalia. O filme, pós-manipulado com efeitos especiais em uma banca óptica anterior à computação gráfica, a Optical Printer, será exibido durante a exposição Relatos & Retratos, na qual estarão dez fotografias captadas durante a produção do documentário, além de outras 17 imagens e três instalações com transparências, as retrolights.

registrado em: