Você está aqui: Página Inicial / Revista / Como se constrói uma celebridade / Ainda a lapidar
Número 771,

Cultura

Cinema

Ainda a lapidar

por Orlando Margarido — publicado 20/10/2013 09h52, última modificação 20/10/2013 10h46
É provável que "Serra Pelada" desvende um contexto surreal a uma nova geração. Dois amigos paulistas vão à Amazônia atrás de ouro, em uma montagem western
Divulgação
Serra Pelada

Júlio Andrade e Juliano Cazaré, mais do mesmo

Serra Pelada
Heitor Dhalia

É provável que Serra Pelada, estreia da sexta 18, desvende um contexto surreal a uma nova geração. Aquele garimpo apinhado de milhares de homens em busca da riqueza surge agora quase como uma abstração. Assim Sebastião Salgado o retratou, e mesmo o cinema mais popular soube tirar partido de seu simbolismo, como fizeram os Trapalhões. Quem sabe na conta desse passado remoto o diretor Heitor Dhalia tenha providenciado em seu quinto longa-metragem recursos dramáticos mais afinados ao público que verá o estranho cenário como fundo à trama adepta da convenção do cinema de gênero.

Este é no geral o da ação, e mais determinante o do faroeste, eficiente no modelo, mas um tanto esquemático no desenvolvimento. Dois amigos paulistas vão à Amazônia atrás de ouro. Juliano (Juliano Cazarré) logo se mostra mais ambicioso e insano em seus métodos do que o pacato professor Joaquim (Júlio Andrade), ali apenas pela família. Os desdobramentos incluem negociação com os chefes marginais locais (Mateus Nachtergaele e Wagner Moura), disputas violentas pelo poderio e amor pela prostituta (Sophie Charlotte). Que se tomem esses e outros elementos tradicionais de qualquer western, a exemplo da amizade e da ética, e os moldes ao ambiente da narrativa, e não o contrário, faz do grande trunfo daquele universo inimaginável apenas mero pretexto para mais do mesmo.

registrado em: