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Número 771,

Cultura

Exposição

A lição modernista

por Orlando Margarido — publicado 19/10/2013 09h51, última modificação 19/10/2013 11h03
Mostra permite rever a proposta e a herança de uma produção distante da sociedade. Por Orlando Margarido
Di Cavalcanti / Acervo da Fundação
Exposição

Do mestre, com carinho. "Mulher com Chapéu Panamá", de Di Cavalcanti, anos 1940

Arte no Brasil - Uma História do Modernismo na Pinacoteca de São Paulo
De sábado 19 a 27 de dezembro de 2015
Estação Pinacoteca

Em conhecida conferência de 1942, Mário de Andrade alertava a uma plateia  jovem que os modernistas da Semana de Arte Moderna, ele incluído, não deveriam servir de exemplo, e sim de lição. Atentava à função também política da arte, “uma expressão interessada da sociedade”, que não deveria ser confundida com a liberdade de pesquisa estética, ligada a formas, técnicas e representações da beleza. A arte, como registra a crítica Aracy Amaral, “é mais larga e complexa”, com funcionalidade social e força interessada na vida, concluía o escritor.

Há ecos da ponderação mais ampla às esferas artísticas a serem avaliados perante um bom recorte do período na pintura e na escultura, como se propõe a ser a mostra Arte no Brasil – Uma História do Modernismo na Pinacoteca de São Paulo. Trata-se de uma continuidade das exposições de caráter histórico a partir dos acervos da própria instituição e da Fundação José e Paulina Nemirovsky, ali em comodato. A origem justifica a representatividade das 50 obras reunidas e definidoras do ciclo temporal, do primeiro grito modernista de 1922 a suas influências ainda nos anos 1950.

Desse modo, temos um conjunto de quatro pinturas de Tarsila do Amaral, como Carnaval em Madureira e Antropofagia, artista de recorrência do período, não presente na determinante exposição da Semana. Mas torna-se emblema das propostas vanguardistas do grupo ao fazer convergir à tela a experiência francesa com André Lhote e Fernand Léger, por exemplo, e os temas nacionais tão caros aos modernistas. Desse grupo inicial se ostenta também Di Cavalcanti, com seus bordéis e suas mulatas, Victor Brecheret com as esculturas O Beijo e Tocadora de Guitarra, Vicente do Rego Monteiro e John Graz.

Na fase dos anos 1930, ninguém mais significativo, ainda por Mário de Andrade, que Portinari, representado pelo óleo Família. A mostra também atenta a referências anteriores, como Lasar Segall com Bananal, um dos primeiros a expor uma obra não acadêmica no Brasil, até traçar o caminho em que repisam influências nomes como Aldo Bonadei, Flávio de Carvalho, Ernesto De Fiori, Bruno Giorgi, Guignard, Ismael Nery, Pancetti, Volpi e, num partido mais recente, Mário Zanini e Iberê Camargo.