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Número 770,

Cultura

Cinema

Os outros, sempre eles

por Igor Giannasi — publicado 12/10/2013 11h34, última modificação 12/10/2013 12h03
Um cômodo sem janelas, de onde não é possível sair. Esta é a ambientação de "No Exit – Entre Quatro Paredes", com nova montagem e direção de Caco Ciocler
Gabriela Ramos
No Exit

Espelho. Chris Couto e Sabina Greve, identidades reconhecidas pelo olhar do outro

No Exit - Entre Quatro Paredes
Caco Ciocler
Sesc Santo Amaro, São Paulo
Até 27 de outubro

Um cômodo sem janelas ou espelhos, mas também sem estacas ou grelhas, de onde não é possível sair, foi a ambientação que o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre escolheu para representar o inferno na peça No Exit – Entre Quatro Paredes, de 1944, que tem instigante montagem sob direção do ator Caco Ciocler.

Sentimento de culpa, mentiras, fragilidades da condição humana e a tomada de consciência de suas próprias maldades confrontam-se em três personagens, o homem das letras Garcin (Daniel Infantini), a funcionária dos Correios Inês (Chris Couto) e a burguesa Estelle (Sabrina Greve), ­obrigados a conviver enclausurados no eterno pagamento de contas por suas atitudes e escolhas.

Foi neste texto, Hui Clos, no original, que Sartre cunhou a famosa expressão “o inferno são os outros”. Nesse espaço é apenas sob o olhar do outro que cada um consegue reconhecer a própria identidade. Os personagens são conduzidos até o confinamento pelo criado, interpretado por Ando Camargo, que também leva o público ao recinto infernal antes de se iniciar o espetáculo.

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