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Número 770,

Tecnologia

Música

Apesar dos downloads

por Felipe Marra Mendonça publicado 14/10/2013 03h36
A indústria fonográfica dá lucro, diz pesquisa
Flickr / VillegasLillo
CD

As vendas digitais podem compensar a pirataria

Pesquisadores da London School of Economics publicaram no início de outubro um relatório interessante sobre os efeitos da pirataria nas receitas das indústrias de entretenimento. O objetivo dos autores é influenciar o debate no Reino Unido, onde o governo parece ouvir somente o lobby da indústria ao repetir que “o crime de roubo de propriedade intelectual na internet é uma ameaça às nossas indústrias criativas”, como disse o secretário de Estado da propriedade intelectual, Lord Younger, em junho deste ano.

A verdade é diferente do que o governo gosta de propalar. A indústria continua a lucrar e a crescer, apesar da pirataria online. “Ao contrário do que sustentam seus executivos, a indústria fonográfica não está em declínio terminal, mas ainda mantém seu espaço e demonstra bons lucros. Receitas de vendas digitais, serviços de assinatura, streaming e shows compensam qualquer declínio na venda de CDs ou discos”, disse o professor Bart Cammaerts, um dos autores do relatório.

O mesmo acontece com a indústria cinematográfica, que, segundo os pesquisadores da LSE, continua a crescer ano após ano, mesmo com o advento de novas tecnologias facilitadoras da pirataria. “Apesar de a Associação Cinematográfica dos Estados Unidos dizer que a pirataria está acabando com a indústria do cinema, Hollywood conseguiu receitas de 35 bilhões de dólares em 2012, um crescimento de 6% sobre o valor registrado em 2011. A indústria musical pode ter estagnado, mas o declínio em receitas tão repetido pelos seus lobistas simplesmente não existe”, aponta o relatório.

O estudo da LSE junta-se a outro da União Europeia, de março passado, abordado nesta coluna, segundo o qual a pirataria quase não tem impacto sobre as vendas de CDs e DVDs.

Os estudos parecem apontar em apenas uma direção: a incompetência da indústria de entretenimento para encontrar um novo modelo de negócios capaz de suplantar a queda de consumo de formatos físicos como CDs e DVDs. A solução não é continuar a tachar os consumidores em geral como criminosos, mas oferecer opções mais atraentes de consumo legal. A avidez dos consumidores em assinar serviços de streaming como o Netflix é prova disso.

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