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Número 769,

Política

Comissão da Verdade

O mea-culpa da viúva

por Redação — publicado 06/10/2013 08h40
A mulher de Amílcar Lobo, médico da ditadura, pede desculpas às vítimas

“O erro dele foi a omissão.” O mea-culpa histórico veio da boca da viúva do psiquiatra Amílcar Lobo, Maria Helena Gomes de Souza, em depoimento na quarta-feira 2 durante uma sessão da Comissão da Verdade do Rio. Lobo foi acusado de cumplicidade com a tortura dos militares. Na época em que trabalhou no Batalhão da Polícia do Exército, dizem testemunhas, após examinar os presos, ele confirmava se eles tinham condições de continuar a ser submetidos a sessões de tortura.

Acusados de participar da tortura, os militares Dulene Garcez e Luiz Mário Correia Lima estavam ao lado da viúva, mas disseram não ter “nada a declarar”. Maria Helena lembrou do ex-deputado Rubens Paiva, examinado por seu marido antes de morrer. “Amílcar recebeu a notícia de que um preso de alta patente, ‘quente’, no linguajar usado por eles, precisava de atendimento médico”, desabafou. Era Paiva. “Este estava nu, como era costume, e Amílcar o examinou. O preso queixava-se de fortes dores. Conseguiu dizer, por três vezes, o seu nome. No dia seguinte, Amílcar soube, pelo tenente Avolio, que Rubens Paiva tinha morrido.”