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Número 769,

Cultura

Bravo!

Influência espontânea

por Orlando Margarido — publicado 07/10/2013 05h04, última modificação 07/10/2013 10h36
A exposição Gomide – Um Modernista entre Paris e SP mostra 50 trabalhos, incluindo obras de Tarsila do Amaral. Por Orlando Margarido
Reprodução
artegomide

Puxada de rede: Óleo sobre a tela. 1950. Antônio Gomide

È provável que a exposição Gomide – Um Modernista entre Paris e São Paulo, a partir do dia 12 na Caixa Cultural, nos aponte um artista vinculado a movimentos notórios no País a partir dos anos 1920, a ponto de crermos ser ele apenas mais um. Mas nisto reside a função talvez primeira da curadoria de Alberto Beutenmüller, na medida em que deve fazer notar Antonio Gomide (1895-1967) como o precursor a divulgar art déco e cubismo, por exemplo, entre seus pares brasileiros. Pode exercer essa influência não só pela obra devedora a princípio da convivência em Paris com a arte de Lhote, Braque e Picasso, mas também pela vocação de professor, determinante na formação de Arthur L. Piza.

Em relação à produção própria, a mostra de 50 trabalhos exemplifica as características principais de uma trajetória variada. Da fase da vanguarda parisiense dividida com Tarsila do Amaral e outros, de que é exemplar o guache Três Damas em Movimento Giratório (1922), na volta ao Brasil em 29 passaria a se interessar por motivos nacionais. Incluem-se temas indígenas, religiões africanas e festas, como Carnaval e Seresta, aquarelas de 1954. Sua preferência por figuras humanas e retratos manteve-se coerente na proporção da diversidade de técnicas. Gomide testou de óleos a aquarelas e desenhos, da arte decorativa ao afresco. Poderia se pensar num caráter virtuoso, mas estudiosos o preferem como um espontâneo.

Gomide, um modernista entre Paris e São Paulo

Caixa Cultural São Paulo - de 12 de outubro a 8 de dezembro