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Número 768,

Sociedade

Refogado

Prêmios e palestras

por Marcio Alemão publicado 05/10/2013 06h16, última modificação 05/10/2013 07h08
Chefs viraram palestrantes com uma enorme vantagem: cozinhar o espectador é bem mais fácil. Por Marcio Alemão
Flickr / Festival Gastronómico

Tem gente contra e os que são a favor. Chefs viraram palestrantes e começam a faturar mais do que em seus restaurantes. E com enorme vantagem: cozinhar o espectador é bem mais fácil. E por que ser contra? O mundo corporativo tem momentos de profunda pobreza criativa e recorre a um alpinista que descreverá o que faz, exatamente. E, no final, vai acrescentar: “Assim também acontece na empresa”.

E nesse momento do teto vem uma luz zenital e todos soltam ao mesmo tempo um revelador OHHHHH! Eles entenderam que a escalada, o planejamento, chegar ao cume, sair da zona de conforto, tudo isso são metáforas que podem ser aplicadas ao  dia a dia da empresa. E o mesmo acontece  na palestra do técnico de vôlei, do ex-drogado e, claro, do chef.

O chef moderno parece estar mais preocupado em pensar em inovação para conseguir prêmios e, claro, poder cobrar mais por suas palestras, me disse com sabedoria um amigo. Na semana passada escrevi que Ferran Adrià vem aí para... dar palestras. É bem provável que venha falar de inovação e cite a palavrinha mágica dos últimos anos: REINVENÇÃO.

Odeio essa palavra. Se o camarada quer se reinventar de fato, de verdade, pra valer, deveria, por exemplo, virar um coelho, uma mesa de centro ou grampeador de papel. Para alguns chefs laureados pelas modernices eu sugiro que no processo de reinvenção considerem a  possibilidade de fazer comida com sabor. Comida que a gente tem vontade de repetir. Quem sabe isso possa vir a ser uma categoria em prêmio: “Comida que dá vontade de repetir”. Eu faria a outra: “Comida interessante, que vale a pena provar, mas não dá pra repetir”. Claro, “comida palestrável” também é uma ideia.

Confesso que tenho medo quando tudo parece girar em torno de ideias.

Aprimorar  um carbonara, uma feijoada, um estrogonofe,  seria tarefa menor?

Não creio. Porém, tudo leva a crer que uma empresa que faz um excelente, um excepcional feijão com arroz não sobreviverá no mundo das constantes reinvenções. Eu, jeca que sou, acredito que ela poderá ser única.