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Número 768,

Cultura

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Emmy, aliás Oscar

por Nirlando Beirão publicado 29/09/2013 11h09, última modificação 29/09/2013 11h48
O Emmy devia se mudar para Nova York, onde resta espírito não provinciano numa América cada vez mais caipira. Por Nirlando Beirão
AFP
Emmy

Vince Gillian e equipe de Breaking Bad: vitória no final

Por longos e cansativos anos, o Oscar do cinema foi apresentado num auditório de Los Angeles chamado Kodak Theater. Kodak e Hollywood pareciam selar um pacto simbólico de perenidade e solidez a respeito do qual ninguém haveria de arriscar qualquer prognóstico funesto. A Kodak já se foi e eu adoraria que o cinema comercial de Hollywood fosse também saindo de cena, como os pterodáctilos do passado, mesmo sabendo-se que no mundo sempre haverá público para as suas telas quentes de explosões, pancadarias e preconceitos.

O Emmy, indevidamente chamado de Oscar da tevê, também faz de Los Angeles a sede para sua premiação anual. Devia se mudar para Nova York – cidade que, bem ou mal, ainda exprime o pouco que resta de espírito não provinciano de uma América no geral cada vez mais caipira.

Trocar o cenário talvez não evitasse a paisagem de figurinos medonhos que domina o red carpet do Emmy, nesse aspecto réplica fiel do Oscar, mas serviria para balizar a distância quilométrica que separa hoje a produção independente de tevê e as baboseiras convencionais de Hollywood.

Se há alguma coisa se mexendo, em termos de criatividade, na dramaturgia gringa é em seriados como Breaking Bad, produção da AMC exibida pelo canal AXN no Brasil (vencedor do Emmy de melhor série dramática) e Modern Family, da ABC, aqui mostrada pela Fox Brasil (Emmy de melhor série cômica, pela quarta vez consecutiva).

Breaking Bad encerra no domingo 29, nos EUA, a quinta e última temporada (na Netflix a partir da segunda 30). Um show de dramaturgia estica até a derradeira cena as teias do suspense. O protagonista, Walter White, parece mais perdido do que os mariners americanos no Iraque. Sem happy ending.

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