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Número 767,

Cultura

Refogado

O sabor da iluminação

por Marcio Alemão publicado 22/09/2013 07h59, última modificação 22/09/2013 08h19
Uma experiência gastronômica completa só se dá quando tudo se harmoniza
Flickr / jlastras
Restaurante

A luz é tão importante quanto a comida, quando a intenção é oferecer uma experiência completa

Comi bem no pequeno restaurante Tasca do Zé e da Maria. Estava acompanhado e ambos pedimos um prato de bacalhau, que mostrou ter muita qualidade. Com a entrada fiquei intrigado. Pedi umas vieiras grelhadas, que chegaram bonitinhas, em formação horizontal, com a marca da grelha sobre. Na base um purê de tomates.

Volto um pouco no tempo: entramos no restaurante às 21 horas. O local tem, seguramente, a iluminação mais deprimente que vi em restaurantes de bom nível. Juro que minha vontade primeira depois de três passos foi cair fora.

Fritadeiras são elétricas
Luz é tão importante quanto a comida, quando a intenção é oferecer uma experiência  completa. Iluminação é coisa de projetista. É coisa séria. Pode determinar seu humor. Na mesa, uma pequena vela que não redime em nada a catástrofe. Força do pensamento, poder paranormal, escolha, mas alguns minutos depois a luz se foi em todo o bairro.

Na teoria isso não seria problema para um restaurante. Todavia, hoje, muitos dos equipamentos são elétricos. As coisas fritas foram suspensas.

Alguns pratos são aquecidos em forno de micro-ondas antes de chegarem à mesa ou passam por uma “mesa de luz” de igual função. Mais uma vez sobre as vieiras: estavam frias. Não gostei, perguntei se eram mesmo frias e me disse o maître que sim, eram servidas frias, e isso nada tinha a ver com a falta de energia elétrica. Pena. Seriam muito boas se fossem quentes. Frias me afligiram, frias me passaram a mesma sensação deprimente que a iluminação do local.

Outro item que me irrita: “Sinto muito, mas esse vinho que o senhor escolheu acabou”. Pergunto se não existe um processo que determine algumas tarefas a serem feitas durante o dia. A primeira coisa, sabemos, é descobrir se o abacaxi está doce. Uma das demais deveria ser o controle da adega. Bater com o cardápio. O bacalhau estava bom, vale repetir. Não sendo o local um boteco simples e praticando preços de local bacana, a iluminação e o serviço, em minha opinião, poderiam ser revistos. Por fim, diria que tudo no local transpirava, na noite de quinta-feira, um certo cansaço. Um local para almoço? Talvez seja isso. Errei no horário.

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