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Número 767,

Cultura

Cinema

Casa de poetas

por Orlando Margarido — publicado 26/09/2013 18h22
No início de "Esse Amor Que nos Consome" os personagens dão prosseguimento à história desenvolvida no curta "Ensaio de Cinema". A companhia de dança ganha novo endereço, com mais fantasia e beleza
Divulgação
Esse Amor que nos Consome

Rubens Barbot, dança e beleza contra o caos

Esse Amor que nos Consome
Allan Ribeiro

No início de Esse Amor Que nos Consome, Rubens Barbot e o companheiro Gatto Larsen se mudam com a companhia de dança que dirigem para um casarão antigo e abandonado no Centro do Rio de Janeiro. Quem acompanhou os mesmos personagens no curta-metragem Ensaio de Cinema, também dirigido por Allan Ribeiro, sabe da necessidade de espaço conquistada agora com o novo endereço. Mas a velha casa está à venda e o grupo poderá permanecer ali até que uma compra se concretize. Entre as visitas de interessados que se sucedem, os inquilinos, Barbot especialmente, apelam aos orixás. Esperam que o negócio não se faça e ali permaneçam, enquanto trabalham na nova coreografia.

É quando também se inserem a fantasia, a beleza e a alegria de um esforço coletivo, uma proposta a nos inquietar entre o documentário e a ficção. Pois é esse um princípio perturbador e ao mesmo tempo atraente do filme, na medida em que assinala fatores da realidade carioca, como a especulação e a decadência do Centro, e os conjuga ao sentido abstrato do fazer artístico e mesmo religioso, quando surge um exu a defender a casa. Reais, Barbot e Larsen parecem habitar um universo próprio, à parte do exterior caótico, que tentam abrandar com sua dança. Não é o caso de saber onde está a fronteira, atesta o diretor, mas se deixar levar pelo bordado poético de que se faz o filme, representado na cena mais simbólica e tocante de um pano tecido por todos.