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Número 767,

Sociedade

QI

Bares de protesto

por Nirlando Beirão publicado 03/10/2013 03h15, última modificação 03/10/2013 15h11
Em São Paulo, o Riviera vai tirar a política da mesa? Por Nirlando Beirão
Reprodução Facebook
riviera

A ditadura exilou a boemia em redutos escuros como o Riviera

“Botequins ideológicos”, debochava Nelson Rodrigues dos redutos notívagos dos boêmios de esquerda. Mas não eram tempos engraçados aqueles anos 60, 70 – e o álcool tinha o pendor de relaxar o medo e incendiar o debate. Hoje, os temas políticos, filosóficos e existenciais parecem se transferir das mesas de bar para as redes sociais. Portanto, a ressurreição do Riviera, no seu cantinho de sempre, Avenida Paulista com Rua da Consolação, em São Paulo, dificilmente trará de volta os elementos míticos de sua era de ouro: a bruma de mil cigarros, os poemas escritos em guardanapos de papel, as militantes do amor livre (a Rê Bordosa, do Angeli, nasceu ali), as intermináveis digressões inspiradas pelos filmes de Fellini e Bergman exibidos no Belas Artes bem defronte e os radicais de gola rulê, propensos a anunciar, sobraçando densos volumes de Sartre e de Foucault, “não tem ninguém aqui mais comunista do que eu”.  Mas ainda resistem, Brasil afora, herdeiros dessa empedernida rebeldia de botequim – que, ao cair a madrugada, acaba deixando para o dia seguinte a nobre tarefa de salvar o mundo.

Cantinho da Paulista

O Riviera, antes e depois, agora com projeto de Marcio Kogan e com dois sócios, Alex Atala e Facundo Guerra, que vislumbram no underground um ótimo negócio. Fundado em 1949, o novo Riviera vai resumir a nostalgia ao nome: vai ouvir jazz ao vivo, em vez de conversa fiada, e se tiver de haver alguma liberação será de hormônios, pouco a ver com os fluidos da politização.

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