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Número 766,

Cultura

Cinema

Tormento profundo

por Orlando Margarido — publicado 14/09/2013 09h59, última modificação 14/09/2013 10h06
"Lovelace" é um tanto de como se constrói um mito na nação de oportunidades chamada Estados Unidos. Por Orlando Margarido
Divulgação
Linda Lovelace

Mergulho sem volta. Amanda Syfried vive Linda, vítima de um pérfido jogo de manipulação

Lovelace
Rob Epstein e Jeffrey Friedman

É um tanto de como se constrói um mito na nação de oportunidades chamada Estados Unidos de que trata Lovelace, em cartaz a partir da sexta 13. Apenas as circunstâncias são diferentes na ascensão, por exemplo, de um político, ou de um empreendedor, e agora se prestam a um estrato mais abaixo se comparado à carreira de um presidente como Kennedy ou um empresário como Steve Jobs.  Mas o mecanismo de encontrar a chave certa para se fazer bem-sucedido é o mesmo e engole a jovem Linda Boreman (Amanda Seyfried), tornada atriz pornô como Linda Lovelace pela exploração do marido, um gigolô.

Os diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman são documentaristas experientes, mas preferiram contar o destino da estrela de Garganta Profunda pela via ficcional. Por um lado, isso garante uma noção dramática mais intensa e cabível à vida de Linda e, por outro, provoca falhas na estrutura do roteiro e enfraquece situações e interpretações. Nesse caso incluem-se os pais de Linda, especialmente a mãe (Sharon Stone), dados como pessoas conservadoras que não enxergariam a trajetória da filha.

Mais bem delineada é a figura do marido e diretor (Peter Sarsgaard), que aos poucos seduz Linda a atuações mais explícitas e a torna sua presa, num jogo psicológico e manipulador. Visto pelos olhos da protagonista, o tema torna-se não só seu mergulho sem volta nesse mundo de regras asfixiantes, mas também um conceito do papel feminino na sociedade que começava a se emancipar naqueles anos 1960 e 1970.

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