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Número 765,

Sociedade

Refogado

Velhos camaradas

por Marcio Alemão publicado 07/09/2013 10h24
Na troca de gentilezas entre Ciro Lilla e Nicolás Catena, a magia de colegas que se admiram
Lilla e Catena

Lilla e Catena, parceria iniciada há 20 anos com duas perguntas

Faz um tempinho que aconteceu. Foi na noite de 6 de agosto, no Jockey Club de São Paulo. O importador e dono da Mistral, Ciro Lilla, organizou um jantar em homenagem à trajetória de Nicolás Catena. Ninguém com razoável conhecimento do assunto duvida que Catena seja a pessoa mais importante do vinho na América do Sul e uma das mais respeitadas no mundo. Foi o Man of the Year em 2009 da revista inglesa Decanter. E ganhou recentemente o Distinguished Service Award, prêmio dado pela  Wine Spectator.

Antes que eu esqueça, ele foi o fundador da vinícola Catena Zapata. Ciro fez um discurso. Nicolás fez outro e sua filha Laura, que atualmente preside as empresas, mais um. E foi ao fim dos discursos que me lembrei de ter lido, há muitos anos, uma troca de correspondência entre o diretor de cinema Ingmar Bergman e o ator Max von Sydow. Trabalharam juntos um monte. Imaginava eu que eram amigos íntimos. O tom das cartas, porém, era excessivamente formal.

Guardei aquele jornal e reli algumas vezes até compreender que o respeito que ambos tinham pelo trabalho do outro era magistral e estava muito além do “E aí, meu chapa? Belê? Vamos tomar uma e botar a prosa em dia?” O cuidado ao escrever cada palavra compreendi depois.

Idem ao ouvir Ciro falar de Nicolás, Nicolás falar de Ciro. Dois colegas de trabalho com profunda admiração mútua e respeito.

Cyro contou que tudo começou há 20 anos, com apenas duas perguntas. Em uma feira, provou um branco da vinícola. Ficou encantado e perguntou: “Vocês têm um tinto?” Serviram-lhe o tinto e ele fez a última pergunta: “Vocês têm representante no Brasil?” No discurso de Nicolás houve uma parte que me emocionou. Ele fez um agradecimento público ao seu terroir. Sim, um pedaço de terra a 1,5 mil metros de altitude que, segundo ele, decidiu ser bondoso e aceitar suas ideias de ali, nessa altitude pouco provável , produzir vinhos de qualidade. Tudo culpa do terroir.

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