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Número 765,

Cultura

Cinema

Obra renovadora

por Orlando Margarido — publicado 22/09/2013 09h46, última modificação 22/09/2013 10h01
'A Coleção Invisível': da Alemanha dos anos 1920 para os trópicos da Bahia atual
Divulgação
Walmor Chagas

Walmor Chagas em seu papel derradeiro, como um rico fazendeiro

Um conto do austríaco Stefan Zweig levado da Alemanha dos anos 1920 para os trópicos da Bahia atual por um diretor francês radicado em Salvador poderia supor um filme no mínimo desajustado. As tantas diferenças culturais foram, no entanto, contornadas pelo realizador Bernard Attal em A Coleção Invisível, em cartaz desde a sexta-feira 6, que no roteiro conta com o cineasta baiano Sergio Machado. A contribuição parece previdente a um cenário dividido entre a urbanidade da capital e seus apelos fáceis ao prazer e à zona rural, representada por uma elite cacaueira decadente, para não dizer quase inexistente.

É nesse movimento pendular que encontramos o protagonista Beto (Vladimir Brichta), transtornado com a morte trágica de amigos e em busca de nova perspectiva de vida. Encontra-a na recuperação de valiosas gravuras que um dia seu pai, antiquário, vendeu a um rico fazendeiro. Quer também fazer sair da crise sua mãe (Conceição Senna), viúva agora à frente do negócio. A dificuldade de chegar até o proprietário, último papel de Walmor Chagas, morto em janeiro, impõe-se tanto quanto o mistério em relação às obras, ambos defendidos por sua mulher e filha (Clarisse Abujamra e Ludmila Rosa).

O elucidamento não se torna o ponto de chegada, como se suporia, envolto mesmo em certo anticlímax, mas na virada de transformação pela qual passa Beto e seu universo até então um tanto restrito de vida. Nesse sentido encontra-se o Zweig que escapou em exílio da Europa nazista e refugiou-se no Brasil, com experiências renovadas, como aponta sua literatura.

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