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Número 765,

Cultura

TV

O crime fascina

por Nirlando Beirão publicado 08/09/2013 09h42, última modificação 08/09/2013 10h00
A morte anunciada de Breaking Bad ameaça produzir uma síndrome de abstinência. No Brasil, o Netflix já colocou no seu acervo alguns dos episódios do chorado adeus.
Divulgação
Breaking Bad

Engenho. Jesse e Walter requintam a arte da delinquência

A morte anunciada de Breaking Bad, em sua quinta e última temporada, ameaça produzir na audiência de tevê a mesma síndrome de abstinência que acomete os drogaditos que batem à porta da usina de metanfetaminas do professor-traficante Walter White (Bryan Cranston). Até o fim do mês, a cortina cai para Breaking Bad nos Estados Unidos. No Brasil, o Netflix já colocou no seu acervo alguns dos episódios do chorado adeus.

A primeira reação ao seriado, que estreou nos EUA em janeiro de 2008, foi áspera, inamistosa, contaminada de ceticismo, quando não de repulsa. Quem haveria de imaginar o sucesso de público e de estima da descabelada história de um professor de química que adere, com o melhor dos pretextos, aos ritos sanguinários do tráfico?

O argumento de Vance Gilligan (ex-X Files) parecia não dispor de musculatura dramática para além de uma temporada. O dilema humano do Dr. Jekyll-Mister Hyde de Albuquerque, com a cumplicidade de seu aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul), arriscava-se a se converter num xarope aguado. Mas Gilligan, à frente de um afiado time de roteiristas, soube se esquivar das armadilhas éticas e, 62 episódios e 191 mortes depois (provocadas pela porção Heisenberg do professor White), o seriado se conclui em clima de unanimidade.  
Os diálogos são tudo em Breaking Bad, ou quase tudo, já que o soberbo desempenho dos protagonistas também dá uma forcinha à trama. Até o cenário ajuda. Se não fosse o deserto do Novo México, onde é que os dois traficantes iriam ocultar, com tal facilidade, os cadáveres de suas vítimas?

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