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Número 765,

Cultura

Cinema

Crítica atemporal

por Orlando Margarido — publicado 07/09/2013 10h24
Nova versão de A Religiosa, que estreia nessa sexta-feira 6, conseguiu transportar a beleza de Anna Karina para Pauline Etienne, a nova atriz que está sob as vestes da noviça Suzanne
Divulgação
Religiosa

A audácia de Diderot a serviço da luta pela liberdade

A Religiosa
Guillaume Nicloux

Ao olhar de Jacques Rivette, Suzanne era a confrontação do desejo ante o mando da religião. Mesmo sob as vestes de uma noviça, não era difícil enxergar a pulsação na beleza de Anna Karina. Há essa beleza em Pauline Etienne, protagonista da nova versão de A Religiosa, obra de Diderot, que estreia na sexta 6. Mas, se continua bela, a personagem ressurge com traços mais angelicais.

Em 1966, quando Rivette fez sua adaptação, a ordem era ser engajado e seu filme é uma crítica anticlerical feroz. A Guillaume Nicloux, ainda que não se distancie do horror à Igreja que está no livro, interessa contornar Suzanne à luz dos conflitos da mulher no século XIX.
É nessa chave que se dá o destino da jovem enviada ao convento. Suzanne se revolta. Passa de uma ordem a outra, sempre vítima de excessos das madres, primeiro em castigos físicos, depois objeto da paixão da superiora (Isabelle Huppert). Nicloux dará outra dimensão à luta da jovem pela liberdade e como tal inflige a ela um fim menos dramático do que Rivette. São ambos rigorosos em suas acepções, e as justificam de acordo com o momento em que a audácia de Diderot lhes serve.