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Número 764,

Saúde

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Coceira crônica

por Drauzio Varella publicado 31/08/2013 08h08
Sabe aquela coceirinha renitente, que não passa nunca? Pois bem, isso, na literatura médica, se chama prurido crônico e pode ter causas diversas e tratamentos múltiplos
Flickr / GraceOda
Higiene

Sabonetes ajudam no combate à secura da pele, mas cuidado com os alcalinos

Prurido crônico é a coceira que dura mais de seis semanas. Seu impacto na qualidade de vida é equivalente ao da dor crônica, porque interfere no sono, altera o humor e provoca ansiedade, que agrava o quadro.

Pode acometer a pele do corpo todo ou permanecer restrito a determinadas áreas: braços, costas, couro cabeludo ou regiões inguinais. A incidência é mais alta em mulheres e aumenta com a idade.

As principais causas são:

1. Dermatológicas: eczema, dermatite atópica, psoríase, escabiose (sarna) e líquen plano (que provoca espessamento da epiderme), entre outras.

2. Sistêmicas: linfomas, leucemias, insuficiência renal crônica, icterícia, hipertireoidismo.

3. Neuropáticas: associadas a processos que acometem as terminações nervosas, como no herpes-zóster e no prurido bráquio-radial que se instala nos braços.

4. Psicogênicas: nas quais a própria sensação de prurido provoca escoriações na pele que se agravam e realimentam a coceira.

A fisiopatologia é complexa. Abrange a liberação de mediadores químicos e a ativação de circuitos de neurônios que ascendem a áreas do cérebro envolvidas no tato, nas emoções, na memória e recompensa, regiões que também processam as sensações de dor. O quadro às vezes surge meses antes da instalação de enfermidades crônicas, como doença de Hodgkin ou cirrose hepática.

O simples ato de coçar costuma escarificar a pele, agravar a sensação, provocar inflamação e infecções secundárias. Quando a causa não é identificada, algumas medidas práticas podem aliviar os sintomas:

1. Tratamento tópico: Uma vez que a secura da pele pode ser a causa primária ou intensificar o prurido, cremes e loções emolientes que a deixam mais úmida e tornam suas camadas superficiais mais lisas e amolecidas estão indicados na maioria dos casos.
Sabonetes alcalinos são contraindicados; a preferência deve ser dada aos de pH ácido, entre 4,5 e 6,0.

Cremes contendo anestésicos tópicos, como a capsaína ou pramoxina, reduzem rapidamente a sensação local, mas têm ação transitória.

Cremes contendo substâncias que conferem sensação de frescor à pele, como é o caso do mentol em concentrações que não devem passar de 5%, também trazem alívio a curto prazo.

2. Tratamento sistêmico: Não está claro se os anti-histamínicos, empregados em casos de alergia, reduzem o prurido ou se agem apenas como soporíferos que melhoram a qualidade do sono.

Os estudos mostram que certos medicamentos neuroativos (gabapentina e pregabalina) e determinados antidepressivos (paroxetina, fluoxetina, sertralina, mirtazapina e outros) são úteis em alguns tipos de prurido.

3. Fototerapia com raios ultravioleta B: Associados ou não aos ultravioleta A, apresentaram resultados positivos em pacientes com psoríase, eczema, certos linfomas e insuficiência renal crônica.

Prurido crônico é patologia de etiologia muito pouco conhecida e de tratamento complexo, que exige cuidados de profissionais experientes.

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