Você está aqui: Página Inicial / Revista / Síria / Guerra Cool
Número 763,

Cultura

Blog do Chernenko

Guerra Cool

por Vitor Knijnik — publicado 27/08/2013 15h27
Chego a delirar de prazer em pensar como seria uma corrida armamentista nos tempos de internet
Chernenko

Chefe Supremo da URSS entre 1984 e 1985, me chamam de o Último Bolchevique

Há muito tempo não me sentia tão vivo. E tanto entusiasmo tem razão de ser: esse clima de Guerra Fria no ar. Snowden, espionagem, evento esportivo marcado por questões políticas: a volta das tensões entre a Rússia e EUA veio pra ficar. Se você ainda não percebeu, camarada, é porque anda muito preocupado com quem o Emerson Sheik anda beijando no Instagram. Que aliás, ao invés de sofrer bullying na rede, aqui seria preso na Sibéria.

Que fique claro que sempre apostei no Putin. Um cara que coloca um cachorro pra assustar a Merkel merece minha confiança. Aquele semblante que mistura mafiosoe galã proletário de filme soviético, esconde um ex-KGB pronto pra pegar os americanos. Mas, confesso, achava mais fácil uma briga com o Bush. Afinal, o que seria uma guerra a mais n as costas da família Bush? A dificuldade de duelar com o Barack é que ele parece o maior boa gente. Como travar uma guerra fria com alguém tão caloroso? Ok, seus atos de espionagem deixariam Nixon com inveja. E vê como ele reage? Só falta dizer "Yes, we can".

A imprensa é que não colabora. “Há uma falta de química pessoal entre Obama e Putin”, disse um analista. O pessoal da mídia não sabe o que está perdendo. Ao invés de incentivar, colocam panos quentes. A maioria dos repórteres é muito jovem e não viu aqueles desfiles maravilhosos que a gente organizava para meter medo no bloco capitalista. Aquilo era mais bonito do que a Unidos da Tijuca ou o desfile de Parintins.

Hoje eles seriam ainda mais interessante. Imagina as imagens no youtube, evento no Facebook, twittecams Se bobear, rolava até Mídia Ninja fazendo cobertura do meio do pelotão, mostrando a ação em tempo real e sem edição. Quer dizer, no nosso caso, Mídia Nijinsky. Outra vantagem da guerra de aparências é a economia. Se de um lado gastasse mais com figurino, cenário e coreografia, economizasse muito mais armas, munição e em financiamento de conflitos de terceiros, como o da Síria e do Egito. Digam o que disserem, é mais fácil e barato lidar com um carnavalesco do que com fissão de Urânio.

Eu chego a delirar de prazer em pensar como seria uma corrida armamentista nos dias de hoje. Placares na Internet, usando todo o potencial do Big Data, analisariam, segundo a segundo, quem estaria na frente e em qual quesito. O mundo experimentaria o frisson de jogar Super Trunfo Arsenal Atômico em rede e com atualização online das cartas. Juro que não consigo imaginar nada mais divertido.

registrado em: