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Número 763,

Cultura

Cinema

Cama e mesa

por Orlando Margarido — publicado 24/08/2013 11h02, última modificação 24/08/2013 11h35
"Os Sabores do Palácio", soa familiar: uma chefe é persuadida a ser a cozinheira pessoal do presidente. Mas o filme se passa na França, não no Brasil
Divulgação
Cama e mesa

Jean d'Ormesson e Catherine Frot, receita de encanto

Os Sabores do Palácio
Christian Vincent

O contexto da trama de Os Sabores do Palácio, estreia de sexta 23, nos soa familiar. Uma reputada chef é persuadida a se tornar a cozinheira pessoal do presidente da República. Situação similar se deu com a gaúcha Roberta Sudbrack, cozinheira do Palácio da Alvorada na era de Fernando Henrique Cardoso. Mas, no caso, estamos na França e isso ganha sabida dimensão numa terra devotada à gastronomia.

A personagem Hortense Laborie, em ótima interpretação de Catherine Frot, será a escolhida para o desafio, em parte para agradar ao paladar presidencial, em parte pela briga que compra em domínio masculino. Logo no início sabemos que algo desandou, pois Hortense encontra-se na cozinha, sem glamour, de uma base científica na Antártida. Importará no filme de Christian Vincent acompanhar como chegou lá.

Tanto mais por que a história real está anotada nos diários publicados de Danièle Delpeuch, a verdadeira Hortense. Em 1988, ela deixou sua fazenda e a produção de foie gras para preparar receitas tradicionais a François Mitterrand (Jean d’Ormesson, escritor da Academia Francesa e amigo do presidente). Instalou-se em apartamentos contíguos ao Eliseu, a sede do governo, onde foi vizinha de Anne Pingeot, amante de Mitterrand, e a filha do casal. Bom gourmet, o chefe de Estado era conquistador charmoso, talento que vemos também exercitar nesse filme encantador.