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Número 761,

Cultura

Cinema

Preço bruto

por Orlando Margarido — publicado 10/08/2013 10h17
"Ferrugem e Osso" estreia da sexta-feira 9. Um filme sobre a brutalidade e de como esta, explorada em várias faces, aos poucos se transforma pela sensibilidade
Ferrugem e Osso

Marion Cotillar e Schoenaerts, jamais incólumes

Ferrugem e Osso
Jacques Audiard

Na essência, Ferrugem e Osso, estreia da sexta-feira 9, é um filme sobre a brutalidade e de como esta, explorada em várias faces, aos poucos se transforma pela sensibilidade. Logo no início, o diretor francês Jacques Audiard (do ótimo O Profeta) nos introduz com dureza nesse universo. A instrutora de show aquático Stéphanie (Marion Cotillard) tem as pernas amputadas depois do ataque de uma orca. A essa altura, Alain (Matthias Schoenaerts), um segurança de boate, havia cruzado seu caminho. Vão se reencontrar, agora com dados alterados do destino, para juntos seguirem um percurso similar de reaprendizado.

Para Stéphanie, é o caso de descobrir algum novo sentido na existência, a partir do que perdeu e do que ainda pode ter, inclusive para questões delicadas como o sexo. Não se pode dizer de imediato que Alain seja o homem ideal para essa retomada. Tipo rude, vive de bicos e de lutas nos moldes do vale-tudo para assegurar sua sobrevivência e a do filho. Chega a remexer no lixo para alimentá-lo. A violência humana e social está por toda parte, e Audiard por vezes enche a tela de sangue para representá-la. Mas a oposição do par central será a saída para ambos, com Stéphanie buscando provar-se ainda mulher e Alain retribuindo com o que sabe ter de melhor, a virilidade e seu senso prático. A essa altura, algo mudou entre os dois e mesmo se o resultado não permanecer, nenhum deles terá passado incólume pela experiência neste belo drama.


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