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Número 761,

Tecnologia

Hambúrger

Bife para militantes

por Felipe Marra Mendonça publicado 12/08/2013 08h47, última modificação 12/08/2013 09h27
Hambúrguer de proveta não agrada paladares, mas apela para a defesa dos animais. Por Felipe Marra Mendonça
Divulgação
hamburguer de proveta

O hambúrguer de proveta foi feito a partir de tiras de músculo bovino cultivadas em um laboratório da Holanda

A intersecção do mundo da tecnologia com outras áreas da vida é sempre garantia de resultados interessantes. Na segunda-feira 5, deu-se o primeiro teste de um hambúrguer criado em laboratório. Patrocinado por Sergey Brin, cofundador do Google, o “hambúrguer de proveta” foi feito a partir de tiras de músculo bovino cultivadas em um laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda.

“Esperava uma textura mais macia. O sabor é bem intenso, parece-se com carne, mas não é tão suculento. A consistência é perfeita, mas sinto falta de um pouco de sal e pimenta. Mas para mim isso é carne”, disse Hanni Ruetzler, crítica de gastronomia convidada a saborear a criação em Londres. Outro crítico, Josh Schonwald, não concordou. “Sinto um pouco de falta da gordura, e o sabor foi consistentemente diferente.” Brin disse que a principal motivação foram os maus-tratos aos animais e que as soluções eram claras. “Uma opção é todos nos tornarmos vegetarianos, acho que isso não é muito provável. A outra é ignorar as questões controversas, o que leva a mais dano ambiental. E a terceira opção é fazer algo novo”, afirmou.

No mesmo dia, o jornal Washington Post anunciou ter sido comprado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, por 250 milhões de dólares. É preocupante que em uma carta a seus novos funcionários tenha escrito que “assinalar uma rota não será fácil”. Sugere um empresário de fortuna estimada em 25 bilhões de dólares e que teve uma comichão por achar um novo hobby para se distrair. “Você comprou um lugar cheio de jornalistas muito talentosos e dedicados, que no momento estão com medo de mudanças que ainda não entendemos”, escreveu Gene Weingarten, colunista do Post.

A fortuna de Bezos deverá permitir a ele ter a paciência suficiente com o jornal a ponto de custear repetidos prejuízos  até sua direção entender como se faz do bom jornalismo algo sustentável e até lucrativo nesta nova era midiática em que o custo da informação é praticamente gratuito.


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