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Número 761,

Cultura

Calçada da memória

A encarnação da poesia 

por José Geraldo Couto — publicado 20/08/2013 12h20
Julie Christie perdeu para Ursula Andress o papel de Bond girl em O Satânico Dr. No (1962) porque não era peituda o bastante. Mas se lhe “falta” busto, sobram inteligência e talento
Julie Christie.

Julie Christie. Inteligente demais para aceitar se um produto

Julie Christie perdeu para Ursula Andress o papel de Bond girl em O Satânico Dr. No (1962) porque não era peituda o bastante. Mas se lhe “falta” busto, sobram inteligência e talento. “É a mais poética das atrizes”, define Al Pacino.

Nascida em 1940 em Assam, na Índia, filha de um plantador de chá e de uma pintora britânicos, Julie foi mandada à Inglaterra para estudar. Pensando em ser linguista, concluiu o ensino médio em Paris. Contudo, aos 17 anos já estava no palco, no Frinton Repertory, de Essex. Chegou a atuar na Royal Shakespeare Theatre Company.

Mas não queria o teatro, queria o cinema. Depois de protagonizar a série televisiva A for Andromeda (1961), estreou na tela grande na comédia Crooks Anonymous (1962), de Ken Annakin. Foi John Schlesinger quem a tornou uma estrela do novo cinema britânico em filmes como O Mundo Fabuloso de Billy Liar (63) e Darling – A Que Amou Demais (1965), que lhe deu o Oscar.

Em poucos anos trabalhou com Lean (Doutor Jivago), Truffaut (Fahrenheit 451), Losey (O Mensageiro) e Altman (Onde os Homens São Homens). Mas o affair com Warren Beatty e a recusa a ser um “produto” a afastaram de Hollywood. Militante pacifista e defensora dos animais, rareou as aparições nas telas. Com Longe Dela (Sarah Polley, 2006), ganhou sua quarta indicação ao Oscar.

DVDs

O Mundo Fabuloso de Billy Liar (1963)

No interior inglês, o jovem Billy Fisher (Tom Courtenay) oscila entre seu cotidiano medíocre de funcionário e sonhos fantasiosos de grandeza. Apaixona-se por uma garota moderna e independente (Julie Christie) que acaba de voltar de Londres. Comédia dramática de Schlesinger que deu fama a Julie Christie.

Doutor Jivago (1965)

Nos anos que se seguem à Revolução Russa de 1917, Lara (Julie Christie), esposa de um homem devotado à revolução (Tom Courtenay), apaixona-se pelo médico e poeta Yuri Jivago (Omar Sharif) e sofre o assédio do amante (Rod Steiger) de sua mãe. Épico um tanto pesado de David Lean baseado em romance de Boris Pasternak.

Petulia (1968)

Em São Francisco, a socialite Petulia Danner (Julie Christie), casada há seis meses com um engenheiro naval (Richard Chamberlain), conhece num hospital o médico Archie Bollen (George C. Scott), que está se divorciando. E resolve a todo custo ter um caso com ele. Drama tocado com humor e leveza por Richard Lester.

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