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Número 759, Julho 2013

Cultura

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Vocês precisam saber

por Vitor Knijnik e Rafael Call — publicado 30/07/2013 17h56
Quando ouço falar em Snowden, fico pensando em todo esforço que fiz para adquirir fama ao longo de décadas. Já esse menino revelou um segredinho e se tornou uma febre mundial instantânea
Mata Hari

Do blog do Mata Hari

Definitivamente, sou uma pessoa invejosa. Quando ouço falar em Snowden, fico pensando em todo esforço que fiz para adquirir fama ao longo de décadas. Já esse menino revelou um segredinho e se tornou uma febre mundial instantânea. Vocês têm ideia do que é passar a vida sem que nunca tenham vasculhado aviões de missões diplomáticas ou ameaçado países a sua procura? O máximo que fizeram foi acabar com meu show de dança javanesa em Paris.

Honestamente, não entendo. Muita gente acha grande coisa o acesso da NSA a toda essa informação revelada nas últimas semanas pelo Snowden. Eu digo a vocês o seguinte: difícil era conseguir informação na Primeira Guerra Mundial. Vocês têm ideia de com quantos homens tive que dormir para obter informações? Hoje, bastaria ter uma conta no gmail.

Acredito também que nós, espiões, deveríamos ser mais unidos. A concorrência é desleal. Ou nos unimos, ou vamos terminar como os jornalistas, virando uma espécie de “pjotinhas da divulgação”. Vocês têm ideia do que era ser espiã num tempo em que não existiam redes sociais? Hoje, posso saber o que você comeu, os lugares em que foi, o que leu, o que viu, o que curtiu, o que comprou. Tudo sem esforço. Exceto o de decorar as senhas do Instagram, Twitter, Facebook, Youtube, Pinterest e tal. É tanta informação disponível que dá até pra saber por quem você tá torcendo pra sair em A Fazenda.

Mas o que mais me deixa espantada é a aparente adesão dos brasileiros à vigilância dos EUA. Com a notícia de que o Brasil é vigiado, foi uma chuva de posts no Twitter e no Facebook. E sem cobranças: foi um tal de “Bom dia, Obama!”, “Boa noite, Obama!”. Apesar da ironia, todo mundo parece agir como se não tivesse nada a esconder e, portanto, merecesse um prêmio por bom comportamento. Um green card, por exemplo. Vocês têm ideia da afronta que isso representa pra mim? Mas deixa estar. Quero ver quando você descobrir que seu pai tem acesso àquelas fotos sensuais que você anda mandando pros casinhos. Aí é que teremos uma verdadeira crise institucional.

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