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Número 759, Julho 2013

Cultura

Estreia

Razão de existir

por Orlando Margarido — publicado 27/07/2013 10h08, última modificação 27/07/2013 13h05
Em "Amor Pleno", beleza cênica e peculiaridades do terreno metafísico do cinema de Terrence Malick
Divulgação
Amor pleno

Ben Affleck e Rachel MacAdams, drama sem banalidade

Do cinema do americano Terrence Malick conhecemos as peculiaridades. Debruça-se em geral sobre um terreno existencial, metafísico como preferem alguns, filma pouco e com inconstância. Ao menos foi o que se deu entre os anos 1970 e a primeira década deste século, com meros quatro longas-metragens. De repente, a partir de A Árvore da Vida (2011), ele ressurge com outro projeto na sequência e idealiza ao menos mais dois para o próximo ano. Quando vão se concretizar, não se sabe. Muito menos qual a razão de tal retomada, pois o cineasta é avesso a entrevistas e nunca comparece a festivais. Pode-se arriscar que acredita ter algo a nos dizer nesses tempos de pressa e leviandade produzida no atual mundo de relações virtuais. A quem quiser ouvir, ele diz com a beleza cênica de praxe em Amor Pleno, estreia de sexta 26.

A princípio o filme articula-se na relação de Neil (Ben Affleck) com duas mulheres em diferentes momentos, Marina (Olga Kurylenko) e Jane (Rachel McAdams). Conhece a primeira na França e a leva para viver com ele num interior ermo americano. A crise se instala, há problemas, e a outra por ali estará. Pode-se imaginar certa banalidade nesse triângulo, mas o propósito é que se procure nas fissuras do drama um questionamento de valores de vida e sua real dimensão. É um preceito espiritual, comum a Malick, mas que não tende ao religioso, e sim ao filosófico. Tanto é que se traz à trama um padre espanhol (Javier Bardem), portanto, estrangeiro como Marina, faz dele um duvidoso de sua vocação. Está inquieto, assim como Malick propõe a nós que fiquemos.