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Número 759, Julho 2013

Tecnologia

Internet

Pudor britânico

por Felipe Marra Mendonça publicado 01/08/2013 08h58, última modificação 01/08/2013 09h33
O premier inglês, David Cameron, deseja forçar os provedores a bloquer todo tipo de conteúdo pornográfico
Internet

Coisa de criança. Driblar um filtro pode ser bem fácil

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, revelou na segunda-feira 22 um plano para forçar todos os provedores de internet do país a bloquear todo tipo de conteúdo pornográfico, a não ser que os assinantes peçam para suas contas não serem censuradas. A iniciativa faz parte de uma série de medidas criadas para evitar a “corrosão da infância”, como disse o primeiro-ministro. Cameron também propôs que a posse de cenas de pornografia violenta, como simulações de estupro, seja criminalizada.

“Existem alguns tipos de pornografia que só podem ser descritos como extremos, como os que mostram um estupro simulado. Essas imagens acabam por normalizar a violência sexual contra mulheres e são simplesmente tóxicas para os jovens”, disse o primeiro-ministro.

As ferramentas de buscas têm o dever, avalia Cameron, de bloquear resultados com tais imagens. “Tenho uma mensagem muito clara para o Google, Bing, Yahoo e todo o resto: vocês têm dever de agir nisso, um dever moral. Se existem obstáculos técnicos, peço que não fiquem parados dizendo que nada pode ser feito. Usem seus grandes cérebros para ajudar a enfrentar esses obstáculos.” Pedir aos provedores de internet que censurem todo tipo de conteúdo pornográfico resultaria em complacência dos pais em relação ao uso da internet pelos filhos.

Imagens pornográficas não são o único conteúdo potencialmente danoso presente na rede. Além disso, os filtros a ser utilizados não são perfeitos e algumas imagens certamente vão passar sem ser detectadas. Qualquer criança hoje em dia sabe como burlar os filtros.

Talvez a solução seja criar um sistema em que o consumidor, ao contratar o serviço de internet, peça o uso de filtros (e não ter o filtro ligado a priori como praxe). Isso também evitaria uma avalanche de ligações para os serviços de atendimento dos provedores, usuários constrangidos em busca de um eufemismo apropriado para o atendente compreender que o que se pretende é “ligar” a pornografia.

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