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Número 759, Julho 2013

Cultura

Cinema

O segredo do sucesso

por Orlando Margarido — publicado 27/07/2013 10h07, última modificação 27/07/2013 11h33
Em "Tese Sobre um Homicídio", Ricardo Darín é criminalista cuja visão dogmática das leis passa a ser questionada após assassinato
Divulgação
tese sobre um homicídio

Calu Rivero e Ricardo Darín, mergulho nas sombras

Quando o diretor Hernán Goldfrid conversou por telefone de Buenos Aires com CartaCapital, ocorria em São Paulo a retrospectiva completa dos filmes de Billy Wilder. “É uma das minhas grandes referências, um mestre.” A lembrança se dá em torno da noção do policial clássico americano, com elementos do noir, em Tese Sobre um Homicídio, seu filme que estreou sexta 26. Ao notarem as semelhanças com Testemunha de Acusação, Goldfrid consente, mas prefere falar mais de outro Wilder, Pacto de Sangue. “Bem, teríamos muitos filmes e diretores nesse gênero, como Otto Preminger, que é outra influência para mim.”

Trata-se de uma adaptação de novela homônima de Diego Paszkowski, lançada em 1998, e que desde então interessa ao diretor. O momento lhe pareceu oportuno também por outras razões. “Há uma discussão da soberba que vem a calhar na Argentina atual.” A reflexão diz respeito ao universo jurídico em que a trama se desenrola e à personagem do criminalista interpretado por Ricardo Darín. Sua visão dogmática das leis passa a ser questionada quando do assassinato de uma jovem na faculdade onde leciona e ele passa a suspeitar de um dos estudantes (Alberto Ammann). “É um jogo de manipulação, de gato e rato, que exprime muito bem o que se passa nessa instância superior do mundo legal.” Sucesso de mais de 1 milhão de espectadores na Argentina, o filme tem seu parentesco com o também bem-sucedido O Segredo dos Seus Olhos. “E não é só pela presença de Darín, que trouxe muita contribuição ao filme. Acho que temos algum pendor para tratar de regiões sombrias da mente humana.”