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Número 759, Julho 2013

Cultura

Calçada da memória

Cinema da vertigem

por José Geraldo Couto — publicado 20/08/2013 12h20
Ophüls aportou ao cinema uma vasta cultura literária, somada à experiência no teatro e à sensibilidade musical
Max Ophuls

Ophüls: movimento das formas, movimentos do coração, movimentos da sociedade

A vida, para mim, é o movimento”, diz a protagonista de Lola Montès (1955), a derradeira obra-prima de Max Ophüls (1902-1957). Como notou o crítico francês Claude Beylie, a frase pode ser aplicada também ao cinema do diretor: “Movimento das formas, movimentos do coração, movimento das sociedades”.

Nascido em Sarrebrück, na Alemanha, numa família judia, Ophüls aportou ao cinema uma vasta cultura literária, somada à experiência no teatro e à sensibilidade musical. Montou nos palcos tragédias de Shakespeare, comédias de Molière e Shaw, óperas de Verdi.

Como autêntico judeu errante e cosmopolita, sua carreira foi marcada pelo deslocamento. Fugiu da Alemanha nazista para Paris, filmou na França, na Itália e na Holanda antes de emigrar para os EUA em 1941, retornando à Europa em 1950 para a gloriosa fase final de sua obra.

Em Hollywood, depois de um período de adaptação à indústria, realizou ao menos dois filmes memoráveis, o drama histórico O Exilado e o clássico Carta de uma Desconhecida, história emblemática de uma desilusão romântica, rodada numa Viena de estúdio.

De volta à França, senhor absoluto de seus meios, do roteiro à direção de arte, deu livre curso a seu cinema barroco e exuberante em filmes como Conflitos de Amor, O Prazer, Desejos Proibidos e, claro, Lola Montès.