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Número 756, Julho 2013

Cultura

TV

Alta voltagem cômica

por Nirlando Beirão publicado 07/07/2013 10h49, última modificação 07/07/2013 12h06
Onze anos após ser despejada de seu endereço no Largo do Arouche e do nobre horário domingueiro, a família de Vavá Matias voltou afiadíssima. Por Nirlando Beirão
Divulgação
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O afiadíssimo elenco de Sai de Baixo, divertida viagem à chanchada

A tradição brasileira da chanchada – que a tevê busca, mas raramente encontra no esforço cansativo de suas zorras totais – ganhou sobrevida nos quatro episódios de Sai de Baixo, o último deles encenado na terça-feira passada. Temporada curtíssima, do tipo matar saudade. Para quem não viu, é para isso que o YouTube está aí.

Onze anos depois de ser despejada de seu mitológico endereço no Largo do Arouche e do nobre horário domingueiro da Globo, a estranha família de Vavá Matias (Luis Gustavo) voltou ao local da contravenção – e de tantas piadas – agora a bordo de uma produção inédita do Viva, canal a cabo que parecia até então destinado a ser apenas um depósito museológico da Rede Globo.

E voltou afiadíssima, graças à alta voltagem cômica de um elenco que sabe tudo de humor e que domina o difícil código do improviso e a arte refinado do “caco” – temperos capazes de conduzir a plateia a uma incondicional cumplicidade com o palco.

Uso “plateia” e “palco” em sentido literal, já que Sai de Baixo foi gravado num teatro, com casa cheia, aplausos fartos e gargalhadas plenas, como acontecia nos antigos teatros de revista. Marisa “Cala a boca, Magda!” Orth encarna a síntese ambígua de malícia com tolice de uma energética vedete do rebolado.

Os quatro episódios, escritos em parceria por Miguel Falabella e Artur Xexéo, têm a virtude sagrada da autoirreverência. Sai de Baixo ri de tudo – e de si mesmo. Em todos os momentos da história, há coisas para se levar a sério, há outras que não vão além da chacota.