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Número 755, Julho 2013

Cultura

Cinema

O mais intrigante

por Orlando Margarido — publicado 30/06/2013 09h52, última modificação 30/06/2013 09h55
Centro Cultural Banco do Brasil de SP traz 26 filmes de Jacques Rivette, o mais experimental entre os franceses oriundos dos Cahiers du Cinéma
Divulgação
O mais intrigante

Anna Karina como a religiosa sofrida, em polêmica adaptação

Jacques Rivette – Já Não Somos Inocentes
Centro Cultural Banco do Brasil/SP
De quarta 3 a dia 21

Os dois nomes sobreviventes da nouvelle vague parecem convergir a um ponto comum, mas por sentidos opostos. Enquanto Jean-Luc Godard traçou em boa parte trajetória próxima do público e dele se distanciou, Jacques Rivette estreitou relação em seus filmes recentes, ao passado de limitada audiência. Se Rivette não detém a mesma atenção ao colega, justifica-se por ser o mais experimental entre os franceses oriundos dos Cahiers du Cinéma. Para reavaliar essa postura vem em bom momento um ciclo com 26 filmes de Rivette, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.

Na seleção estão as duas pontas de sua carreira, do primeiro longa-metragem, Paris nos Pertence, ao mais novo filme, 36 Vistas do Monte Saint Loupe. Deste, temos uma visão nostálgica do circo a partir do encontro entre um viajante e uma atriz mambembe. Mas há um mistério, a que Rivette se negou comentar no Festival de Veneza. Qualquer pergunta, dizia, arriscava ser um clichê. Não é de clichês, mas de recorrências, ou obsessões para Jean Tulard, que é feito seu cinema. A sociedade secreta, o complô real ou fantasioso e as armadilhas, muitas vezes na ligação com o teatro, surgem na estreia e prosseguem em A Religiosa, adaptação polêmica de Diderot, o radical Amor Louco, Céline e Julie Vão de Barco, para muitos o melhor, A Bela Intrigante e Quem Sabe?