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Número 754, Junho 2013

Política

Calçada da memória

Um príncipe no exílio

por José Geraldo Couto — publicado 26/06/2013 10h51, última modificação 26/06/2013 13h27
Joseph Losey, mestre da sofisticação narrativa e visual, foi levado ao exílio na Europa durante a caça aos comunistas
Divulgação
Joseph Losey

Foi na Europa que Joseph Losey fez a maior parte da sua estupenda obra cinematográfica

Hollywood perdeu um de seus maiores talentos quando a caça aos comunistas dos anos 1950 levou Joseph Losey (1909-1984) ao exílio na Europa. Foi lá que ele fez a maior parte de sua estupenda obra, marcada por uma sofisticação narrativa e visual quase barroca.

Nascido numa família puritana do Wisconsin, Losey trocou o curso de medicina pelo teatro. Ajudou a criar em 1936 o Living Newspaper, espetáculo inovador e fortemente político. Aperfeiçoou seu aprendizado viajando à Suécia, à Finlândia e à URSS.

Colaborou com ­Brecht na montagem de Galileu Galilei em Los Angeles, em 1947. No ano seguinte, dirigiu seu primeiro longa, O Menino dos Cabelos Verdes. Fez em seguida um punhado de dramas criminais que mostravam suas preocupações básicas: as relações de opressão, o sofrimento dos mais vulneráveis, a solidão irremediável do indivíduo.

Convocado pelo Comitê de Atividades Antiamericanas em 1951, quando rodava um filme na Europa, exilou-se em Londres. Dirigiu então seus filmes mais notáveis: Eva, O Criado, O Mensageiro. Com a crise do cinema inglês, filmou também no México (O Assassinato de Trotski), França (M. Klein), Itália (Don Giovanni) e Noruega (Casa de Bonecas). Dizia: “Os filmes podem provocar as pessoas a pensar sobre elas próprias e certos problemas. Mas não dão as respostas”.