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Número 753, Junho 2013

Cultura

Exposição

A luz emotiva

por Rosane Pavam publicado 16/06/2013 10h04
A fotografia de Sabine Weiss, em atenção ao que é humano. Por Rosane Pavam
Sabine Weiss

Sabine Weiss, a fotógrafa da empatia com os personagens

Sabine Weiss,
Amor pela Vida

Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro
Dia 19 de junho a 4 de agosto

Ela não os fotografa distantes. Tem 89 anos e ainda ama os homens. Idosos ou crianças, não importa, a seu ver serão apenas mais humanos.  A franco-suíça Sabine Weiss, cuja obra o Brasil vê pela primeira vez, amiga de outro iniciante em nossas galerias, Jacques Henri Lartigue, ousou na longa atividade fotográfica, igualmente iniciada aos 8 anos. Lançou-se à empatia com seus assuntos, ignorou qualquer suposta lição de objetividade diante deles.

Um homem corre pela escuridão em Paris, 1953, e o halo de luz amplia a força de seu drama de fuga. O que está nas fotos de Sabine é seu objeto ou ela própria? O rapaz em questão poderia estar apenas atrasado, atrás de seu transporte público, mas agora, pelos olhos da artista, seu movimento se desloca e se amplia. “Quando cheguei em Paris, vinda de Genebra, pude trabalhar com o fotógrafo de moda Willy Maywald sob condições hoje inimagináveis. Mas com ele aprendi a importância da luz natural. A iluminação natural como uma fonte de emoção”, explicou certa vez.

Tais naturalidades não enganaram o fotógrafo e amigo Robert Doisneau. “As cenas, aparentemente inofensivas, foram inscritas com uma malícia deliberada naquele momento preciso de desequilíbrio quando o que é comumente admitido está sendo questionado”, escreveu. Um Villa-Lobos grave, cujo charuto aponta para o passado na parede, registrado em sua passagem pelo Rio, em 1955, é uma entre as 132 imagens expostas, engrandecidas pelo tempo. E quanta beleza há no cavalo solto em Porte de Vanves, 1951, a sugerir o coice que é preciso dar ao vento para fazer tudo ganhar sentido de novo.