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Número 752, Junho 2013

Cultura

Cinema

Herança visual

por Orlando Margarido — publicado 11/06/2013 09h13
Na nova adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, Baz Luhrmann apresenta exageros cênicos para tornar óbvia a inadequação do dinheiro do novo-rico Gatsby
Warner Bros
O grande gatsby

Daisy (Carey Mulligan) em O Grande Gastby

O Grande Gatsby
Baz Luhrmann

Em uma instância, Baz Luhrmann poderia requerer a afinidade de seu cinema com o retrato de uma época em O Grande Gatsby. Neste que é um dos grandes romances americanos, F. Scott Fitzgerald descreve um mundo de artificialidade movido pelo dinheiro que converge para os interesses de Luhrmann. Mas não é do artifício como peça do jogo social encenado pelo rapaz de baixo estrato que faz fortuna, a mulher inalcançável por este e por fim o marido dela.

Ante a construção da decadência por Fitzgerald, Luhrmann constata o superficial na primeira parte, com exageros cênicos, para tornar óbvia na segunda a inadequação do novo dinheiro. É um Gatsby (Leonardo DiCaprio) sem as nuanças de uma personalidade que se refez ao longo da vida, apenas um novo-rico destrutível pela inconsciência da amada Daisy (Carey Mulligan) e a alta estirpe do marido Tom (Joel Edgerton).