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Número 750, Maio 2013

Cultura

Festival de Cannes

Sem evidências

por Orlando Margarido — publicado 25/05/2013 10h30, última modificação 25/05/2013 10h37
Se há algo de fabular em Era uma Vez na Anatólia, é mais pelo estranhamento da narrativa que pelo mistério do conto
Divulgação
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Cena de Era uma Vez na Anatólia

Era uma Vez na Anatólia
Nuri Bilge Ceylan

O conceito de conto a que nos remete o título do filme do turco Nuri Bilge Ceylan, Era uma Vez na Anatólia, não se concretiza nos domínios da imaginação. Se há algo de fabular no drama, que estreia sexta 24 dois anos depois de dividir o Grande Prêmio do Júri de Cannes com O Garoto da Bicicleta, isso se deve mais ao estranhamento da narrativa do que ao fato circundado, mas mantido em mistério.

Somos apresentados de início a uma trupe policial em trânsito à noite pelo interior, que se detém em uma vala com um suspeito algemado. Não se sabe o que procuram, e mesmo quando o grupo chega a uma pequena cidade para comer, os diálogos pouco esclarecem. Evidente o intento do diretor em dar por olhares e gestos sinais não da trama, mas de uma interpretação daquelas existências, em especial entre o preso e a jovem atendente. Esta será única num filme masculino, no sentido dos personagens e das situações, inclusive a dissecação de cadáver de veracidade perturbadora.

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