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Número 750, Maio 2013

Sociedade

Qualificação profissional

MBA: prós e contras

por Thomaz Wood — publicado 24/05/2013 12h00, última modificação 26/05/2013 12h27
Os melhores cursos custam 50 mil reais. O futuro indicará se continuarão a ser boa opção para profissionais, escolas e empresas
PromoMadrid/Flickr
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Os melhores cursos custam 50 mil reais. O futuro indicará se continuarão a ser boa opção para profissionais, escolas e empresas

A invenção norte-americana é centenária. Após a Segunda Guerra Mundial, cresceu vigorosamente e tornou-se sinônimo de formação de líderes empresariais. Nos anos 1980 e 1990, avançou pelo mundo, no embalo da globalização. Até mesmo a Universidade de Oxford cedeu aos seus encantos. Juntamente com teorias e técnicas, o MBA ajudou a espalhar pelo planeta a crença na mágica do mercado e no poder científico do management.

O modelo chegou com atraso ao Brasil, mas aqui encontrou terreno fértil, multiplicando-se pelo litoral e pelas montanhas. Nos trópicos, popularizaram-se os MBAs especializados nas áreas tradicionais da administração de empresas: finanças, marketing, recursos humanos etc. Multiplicaram-se também os cursos de nicho, voltados para temas e setores específicos, e até para outros campos de conhecimento, como MBA de Economia, Turismo e Direito. A única restrição à criatividade é a capacidade de preencher salas de aula.

A mística em torno dos cursos permanece, seus poderes milagrosos sobre as carreiras continuam a ser propagandeados pela mídia. Recentemente, a revista The Atlantic divulgou uma lista das dez universidades mais aptas a produzir multimilionários. Não foi surpresa que a Universidade Harvard, matriz da Harvard Business School, tenha liderado o ranking. A instituição conta com quase 3 mil egressos que “valem” mais do que 30 milhões de dólares. E quase todas as universidades no topo do ranking contam com escolas de negócios.

Com o sucesso, vieram as críticas. As escolas são acusadas de desinibido comercialismo e de adotar uma lógica hoteleira, procurando aumentar a ocupação de salas para maximizar seus ganhos. Os cursos são acusados de estimular uma visão imediatista, a busca de resultados de curto prazo, sem preocupação com a perenidade dos negócios.

Alguns críticos ressaltam a falta de cuidado com a ética e a responsabilidade social nos negócios. Henry Mintzberg, notável professor de estratégia, chegou a acusar os MBAs de formar atores, capazes de interpretar líderes, mas pouco aptos a identificar e resolver os problemas reais das empresas.

Recentemente, o diário The Wall Street Journal deu voz a mais um detrator. Dale Stephens, em texto veiculado no início de março, sugere que um investidor esperto não faria um MBA: investiria o dinheiro em treinamento específico e na construção de sua própria rede de relacionamentos. Não se trata de pouco dinheiro: um título de uma escola internacional de elite pode custar mais do que 300 mil reais. No Brasil, os melhores programas custam cerca de 50 mil reais.

O autor toca em dois fundamentos dos MBAs: os cursos seriam supostamente relevantes por ensinar boas teorias e métodos e, ao mesmo tempo, ajudar os alunos a construir redes de relacio­namento, que serão fundamentais em ­suas carreiras.

Segundo Stephens, o conhecimento está hoje disponível na internet, não é preciso pagar por ele. Além disso, as escolas de negócios estão mais preocupadas com a publicação de artigos científicos e com os rankings do que com o ensino.

Quanto à construção de redes de relacionamento, o autor argumenta que é algo fundamentado em confiança, desenvolvido diligentemente ao longo do tempo. Não se pode adquirir facilmente. Mais astuto, sugere o autor, é buscar diretamente o desenvolvimento de competências específicas e construir negócios próprios. Mesmo que não dê certo, a experiência será valiosa e aumentará a empregabilidade.

As provocações de Stephens são pertinentes. No entanto, o autor não considera que muitos profissionais procuram os programas para ganhar a legitimidade do título. Ter no currículo um MBA de uma escola de renome abre portas. Além disso, aumenta a autoconfiança e situa o ego em um patamar mais elevado.

Até recentemente, ter um MBA era uma distinção, frequentemente traduzida em polpudos contracheques. A popularização dos cursos está anulando o diferencial. Com isso, potenciais empregadores tendem a olhar com mais cuidado as realizações e o potencial de eventuais candidatos.

O futuro indicará se os MBAs conti­nuarão a significar bons negócios para profissionais, escolas e empresas.