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Número 748, Maio 2013

Cultura

QI/ Refô

Boicotar por quê?

por Marcio Alemão publicado 19/05/2013 09h52, última modificação 19/05/2013 09h54
Há muito falo sozinho sobre restaurantes que cobram o preço do resgate de uma pessoa e têm filas de espera de sete horas. Desisti
refogado

Acabei desistindo e concluindo: "Restaurante: vai quem quer e quem pode pagar". Foto: Francesca York/ Getty Images

Falo disso há mais de dois anos. E tenho falado sozinho. Não foi uma sacadinha de redes sociais e essa, creio, foi minha falha. Falei, briguei, brinquei, sugeri entrar em uma churrascaria, dessas com sete horas de espera nos almoços de domingo, e que cobram, na largada, o preço de um resgate de uma pessoa não muito importante, e lá dizer com um megafone: “Vocês estão sendo explorados! Saiam imediatamente deste local. Temos o poder de mudar!” Não o fiz. Se tivesse feito, seria vaiado e expulso.

Acredito que seria também  interessante não só tentar meter o nariz em panelas alheias, mas usar um pouco do tempo útil para analisar esse novo personagem que não quer boicotar Prada, Zegna, Diesel, Porsche, o metro quadrado na Vila Mariana.

Pois tanto falei que acabei desistindo e concluindo com uma frase que poderia se transformar em adesivo: “Restaurante: vai quem quer e quem pode pagar”. Niguiriqui ou Murukawa?

Mais uma vez faço uma confissão: ao contrário dos renomados críticos da grande mídia, faço uma confusão danada com a nomenclatura dos quitutes crus de restaurantes japoneses. Mais que isso, os invejo. Queria ter o conhecimento deles para fazer como em suas páginas: senti falta de uma textura mais firme no nugamaki. Perfeito o corte do guirohami e do inorazu, que poderia ter menos wasabi e ter sido fatiado sete minutos antes. Gunsukas pouco expressivos e kirohume com aspecto bipolar. Evite.

Sobre os melhores restaurantes do mundo

Lamento, mas não sei dizer se o julgamento da The Restaurant, que apontou os 50 melhores do mundo, foi justo. Da lista, só comi no D.O.M. e no Maní. Pena. Seria um bom assunto para conversar durante a espera de sete horas em um restaurante não boicotado: “Viu que o Noma desta vez ficou em segundo?” “Noma? É o restaurante do Museu de Arte Moderna?” “Opa! Agora você me pegou. Será que é?” “E o D.O.M.?” “Don Pepe di Napoli? Acho que não pegou nada. Injustiça.”

Direto da minha caixa-postal

Vini Vinci 2013 ­ 40 produtores de dez países. 250 vinhos. Dia 13 de maio no Rio, Hotel Windsor Atlântica. São Paulo, 14 e 15 de maio, no Hotel Tivoli Mofarrej. Horário: das 17 às 22 horas.

Inveja: Chateau Tour St Bonnet 2010, do Médoc. Robert Parker  atribuiu a ele a nota 90 e na Lavínia, a loja parisiense por mim já mencionada, está sendo vendido por 13,50 euros. Mais barato que muita cerveja gourmet brasileira.

Polenta com variados fungos e camarão
Uma bandeja de shiitake e outra de shimeji. Duas cebolas, quatro dentes de alho. Tudo picado na frigideira com boa quantidade de azeite, orégano, pimenta moída, sal. Tampa, fogo baixo. A água vai surgir, desaparecer e depois disso só azeite restará com os demais sólidos. Hora de jogar o camarão-de-sete-barbas limpo temperado com sal e azeite. Fogo alto. Mudou de cor o camarão? Está pronto. Salsinha picadinha sobre tudo. A polenta fica a seu critério. A combinação é infernal. E não me venha com queijo ralado, por caridade.