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Número 747, Maio 2013

Internacional

EUA

Os riscos da fraqueza

por Redação — publicado 03/05/2013 15h45, última modificação 04/05/2013 09h48
Em Guantánamo, uma greve de fome confirma que Obama é fácil de manipular
Barack Obama

A falta de disposição de Obama para enfrentar a oposição é preocupante, dadas as pressões para intervir na Síria e no Irã com base em indícios vagos. Foto: Saul Loeb/ AFP

Em desafio às convenções internacionais, mais de 20 dos prisioneiros de Guantánamo, detidos sem julgamento (alguns há 11 anos) e sem comer há dois meses e meio, têm sido amarrados em cadeiras e alimentados à força com tubos introduzidos pelo nariz até o estômago, e mantidos assim por duas horas para evitar que vomitem o líquido nutritivo.  Outros 110, também em greve de fome, poderão sofrer o mesmo tratamento.

Voltou às manchetes a vergonha internacional de Guantánamo. Na ONU, o argentino Juan Méndez, relator especial sobre tortura, e a sul-africana Navi Pillay, alta-comissária para direitos humanos, condenaram o tratamento “cruel, desumano e degradante”. Barack Obama teve de recordar a promessa de 2008 e culpar o Congresso por não autorizar a transferência dos presos para os Estados Unidos. Nem sequer fez o que estava ao seu alcance. Desde 2009, CIA, FBI e Pentágono concluíram que 86 dos 166 prisioneiros não representam risco que justifique a detenção, mas lá continuam por puro receio do impacto político negativo de um só deles eventualmente vir a cometer um ato terrorista.

A falta de disposição de Obama para enfrentar a oposição é preocupante, dadas as pressões para intervir na Síria e no Irã com base em indícios vagos de armas químicas no primeiro país e de avanços na capacitação de armas nucleares no segundo, alardeados por partes obviamente interessadas – os rebeldes sírios e Israel – e sem confirmação firme por fontes independentes ou mesmo da inteligência dos EUA

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