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Número 747, Maio 2013

Cultura

Bravo! Cinema

O gênio interrompido

por Redação — publicado 03/05/2013 10h00, última modificação 03/05/2013 10h13
Filme mostra Camille Claudel em seus anos de manicômio
Juliette Binoche

A fase amarga. Juliette Binoche, um difícil olhar sobre as dores da artista

Festival Varilux do Cinema Francês

Espaço Itaú Augusta, Frei Caneca e Pompeia, Kinoplex Itaim, Livraria Cultura e UCI Jardim Sul
De 3 a 8 de maio; São Paulo – SP

Há um apelo no mistério que cerca a vida de Camille Claudel (1864-1943) e mantém a figura de escultora francesa em constante revisão. Um desses momentos une agora em São Paulo uma montagem teatral em cartaz no Masp a uma nova adaptação às telas. A peça Camille & Rodin, dirigida por Elias Andreato, se estrutura na conjunção da dependência da artista quando jovem e seu amor a Rodin, num relacionamento destrutivo. Camille Claudel 1915, novo filme de Bruno Dumont estrelado por Juliette Binoche, apresenta de certa forma a consequência. “Por certo uma delas, já que outras circunstâncias a levaram  àquele destino no manicômio, como o descaso da família”, diz o diretor a CartaCapital em entrevista a  jornalistas no Festival de Berlim, onde o longa competiu.

O drama que se poderá acompanhar no Festival Varilux de Cinema Francês  dá conta desse período amargo de que fala o cineasta. Em 1913, dada como louca, Camille foi internada num asilo do interior francês e ali se debateu entre um sentimento de abandono por Rodin décadas antes, de incompreensão da família e de expectativa de rever seu irmão, o escritor católico Paul Claudel. “É sobre este que recai a maior sombra”, complementa Binoche. “Por que culto e ciente do que acontecia a Camille permitiu seu fim ali?” Como Dumont, a atriz chama a atenção para o teor e a lucidez das cartas escritas por ela a Paul e à direção da instituição, material em que se baseia o filme. “Não são de alguém que perdeu o senso da realidade. Sua loucura deve ser relativizada.”