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Número 747, Maio 2013

Cultura

Cariocas

A reconstrução do templo

por Carlos Leonam — publicado 03/05/2013 10h00, última modificação 05/05/2013 08h02
O Maracanã ficou uma beleza. Resta saber se antigos problemas serão eliminados, como a entrada de penetras no gramado ou nas tribunas
Maracanã

Primórdios. A construção do estádio, inaugurado para a Copa de 1950. Foto: Augusto Valentin

Vou ao maracanã, o Estádio Mário Filho (por favor, nada de “Arena”, um modismo sem noção), desde os 11 anos, quando, na Copa de 1950, meu pai me levou para conhecer o novo templo do futebol.

Desde então, vi muitas coisas, jogos épicos (a classificação para a Copa de 1994, a maior partida da vida de Romário), títulos incríveis (o Fla-Flu do gol de barriga de Renato, 95), jogos históricos (o dos mil gols de Pelé e o de sua despedida do scratch, os torcedores pedindo “fica, fica!”), vitórias acachapantes (os 6 a 2 do Botafogo de Saldanha em cima do Fluminense)...

Bem, chegamos ao século XXI, também para uma Copa no Brasil, e temos um Maracanã novo em folha ao custo de milhões de reais. Não venham dizer, em nostalgia boba, que o velho estádio era melhor. Foi bom, com todos os seus defeitos, enquanto durou – mas quero ver, num toró, se o Rio Maracanã transbordar, a enxurrada de sempre não entrará nos vestiários, que ficam abaixo do nível da rua. O cronista Fernando Calazans perguntou a esses nostálgicos, outro dia, se eles ainda andariam numa Brasília ou estariam pimpões num modelo 2013.

Ainda não fui lá. Assisti pela tevê ao “jogo-teste” dos veteranos – alguns deles mereciam ser convocados por Felipão – e curti feliz o que vi a distância. O Maraca ficou uma beleza. Um colonizado chegou a dizer: “É de Primeiro Mundo!” A começar pelo gramado, elogiadíssimo pelos grisalhos craques.

Bem, até aí morreu o Neves. Pelo que aconteceu nesse jogo, muitos problemas do antigo estádio ainda estão lá. Será que os cartolas e autoridades continuarão deixando que se assista ao jogo em pé, inclusive em cima das cadeiras? Ou que penetras vários adentrem o gramado para ver uma partida, ou participar de alguma solenidade?  Que radialistas e fotógrafos entrem em campo antes (e mesmo depois)? Que os banheiros sejam danificados ou torneiras e que tais furtados?  Que a tribuna reservada aos jornalistas acabe invadida por penetras, todos na base da carteirada ou pelo “o senhor sabe com quem está falando”? Que marginais das “torcidas organizadas” continuem mandando no pedaço?

Nas Copas que serão realizadas no Maraca muitas dessas coisas não acontecerão: quem mandará  é a Fifa e com a Fifa não se brinca (pelo menos em tais casos). Mas no estadual do Rio de Janeiro e nas partidas do Campeonato Brasileiro – sem falar nos jogos internacionais amistosos, a cargo da CBF? Será que a torcida se comportará civilizadamente? Hum, não sei não...

No mais, falemos da tal de caxirola, o discreto artefato sonoro inventado para copiar a vuvuzela. Estou com o blogueiro Sérgio Bandeira de Melo (aliás, irmão do presidente do Mengo): “A caxirola tem várias utilidades. A primeira é clara: encher os bolsos de alguns oportunistas com muito dinheiro. A segunda é também triste: subverter a cultura brasileira com uma invenção que nada tem a ver com manifestações espontâneas em estádios de futebol”.