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Número 746, Abril 2013

Cultura

Calçada da Memória

Pimentinha soft

por José Geraldo Couto — publicado 26/04/2013 15h24
Doris Day ainda vive, aos 91 anos, a musa de mais de 40 filmes e 29 álbuns empenha-se na defesa dos animais em uma cidadezinha da Califórnia
Doris Day

Doris Day. A encarnação da americana-padrão, loira, enérgica e pudica

Talvez você não saiba, mas Doris Day ainda vive. Aos 91 anos, afastada do cinema desde 1968 e da televisão desde 1973, ela mora na cidadezinha de Camel, na Califórnia, e empenha-se na defesa dos animais.

Nas décadas de 1950 e 1960, ela foi uma das maiores estrelas mundiais do cinema e da música. Atuou em 40 filmes, gravou 29 álbuns e encarnou a americana moderadamente moderna: loira, enérgica, petulante, mas familiar e pudica. Não gostava de palavrões nem permitia que suas músicas fossem tocadas em filmes com linguagem chula. Republicana convicta, apoiou o amigo Ronald Reagan e George W. Bush.

Nascida em Cincinnati, Ohio, filha de católicos alemães, seu sonho de tornar-se dançarina ruiu depois de um acidente de carro na adolescência. Descobriu que podia cantar, e aos 17 anos excursionava com a Les Brown Band, cujo trombonista, Al Jorden, foi o primeiro de seus quatro maridos. Era cantora de sucesso quando estreou no cinema, em Romance em Alto Mar (1948), de Michael Curtiz, no qual cantava o sucesso It’s Magic.

Daí para diante, estrelou musicais como Rouxinol da Broadway (David Butler, 1951), mas também dramas como Ama-me ou Esquece-me (Charles Vidor, 1954), thrillers de suspense como O Homem Que Sabia Demais (Hitchcock, 1956) e comédias românticas como Um Pijama para Dois (Stanley Donen, 1957) e Confidências à Meia-Noite (Michael Gordon, 1959).

“Aprender um papel era como representar a letra de uma canção”, dizia. Seu empresário e terceiro marido, Martin Melcher, obrigou-a a atuar em filmes que ela não queria, o que a levou à exaustão e à aposentadoria precoce.

DVDs

Ardida como Pimenta (1953)

No fim do século XIX, a pistoleira Calamity Jane (Doris Day) arvora-se em defensora de um vilarejo de Dakota contra os índios. Mas sua grande missão é buscar em Chicago uma atriz e cantora famosa para o saloon. Esse misto de faroeste, musical e comédia de David Butler era o filme preferido da atriz.

O Homem Que Sabia Demais (1956)

Em viagem ao Marrocos com esposa (Doris Day) e filho, médico americano (James Stewart) testemunha um assassinato. Para calá-lo, os criminosos sequestram seu filho, enquanto planejam um atentado contra um chefe de Estado em Londres. Clássico de Hitchcock em que Doris canta Que Será, Será.

Confidências à Meia-Noite (1959)

Compositor (Rock Hudson) e decoradora (Doris Day) dividem linha telefônica, mas não se conhecem. Quando ele casualmente a vê, resolve incluí-la em seu rol de namoradas e passa a cortejá-la ao telefone, disfarçando a voz. Farsa romântica de Michael Gordon, rendeu a Doris indicação ao Oscar.