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Número 746, Abril 2013

Cultura

Bravo! Cinema

Humor emprestado

por Orlando Margarido — publicado 26/04/2013 15h37
Julie Delpy inspira-se francamente em Allen no trato dos personagens, o ritmo incessante e tumultuado dos diálogos, as neuroses servidas à mesa
Dois dias em Nova York

À morte de Allen. Chris Rock e Julie Delpy, embate de neuroses

Dois Dias em Nova York
Julie Delpy

Dois dias em Nova York é a sequência de Dois Dias em Paris, filme dirigido em 2007 pela atriz Julie Delpy. Desde então, ela finalizou a trilogia de sua personagem Celine com o diretor Richard Linklater em Antes da Meia-Noite, apresentado no Festival de Berlim, em que está às voltas com a discussão das relações amorosas de modo bem-humorado. Nesse tempo, Woody Allen saiu de sua amada Nova York, viajou por outras cidades e filmou em Paris. O que esses projetos têm a ver um com o outro? Tudo. Delpy inspira-se francamente em Allen, não apenas por escolher locação nova-iorquina, mas pelo trato dos personagens, o ritmo incessante e tumultuado dos diálogos, as neuroses servidas à mesa.

Isso não significa que Dois Dias em Nova York, estreia da sexta 26, não seja genuíno. E Delpy o consegue quando põe em foco o choque cultural entre França e Estados Unidos, tratado no longa anterior. Lá, como cá, a atriz interpreta Marion, artista plástica casada com um americano e às voltas com o reencontro com a família. Desta vez é seu pai (Albert Delpy, pai real da atriz) e a irmã (Alexia Ladeau) que vêm visitá-la e conhecer o novo companheiro (Chris Rock), ambos com filhos de casamentos anteriores. Trocam-se muitas vezes a sutileza e a elegância da verve de Allen por recursos apelativos, o que só reforça a intenção maior da atriz e diretora em se divertir. Não deixa de ser um modo de se eximir de responsabilidade em relação a sua fonte maior.