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Número 746, Abril 2013

Tecnologia

Redes sociais

“Obama está ferido”

por Felipe Marra Mendonça publicado 26/04/2013 14h00, última modificação 26/04/2013 14h00
Com esta falsa manchete, hackers conseguiram derrubar a Bolsa de NY e semear o terror
Washington

Alvo. Publicado no site da AP, o "ataque" à Casa Branca circulou mundo afora. Foto: Jewel Samad/ AFP

"Urgente! Duas explosões na Casa Branca, e Barack Obama está ferido." Pode ser uma frase mal redigida, mas foi publicada assim na conta da agência de notícias Associated Press (@AP) no Twitter, na terça-feira 23. Que a “notícia” tenha saído antes na conta da AP, não no próprio serviço de notícias da agência, foi descontado pela ampla maioria dos usuários da rede social e outros veículos de comunicação, que a republicaram instantaneamente. Minutos depois, a conta da comunicação corporativa da AP revelou que a conta @AP tinha sido invadida por hackers. E que a notícia sobre o ataque à Casa Branca era falsa. Além disso, anunciou a suspensão de todas as contas do Twitter associadas à agência até que seus procedimentos de segurança de senhas fossem revistos. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, esclareceu rapidamente: o presidente norte-americano não havia sido atacado e passava bem.

Ainda assim, qualquer coisa a envolver um potencial desastre na Casa Branca pode causar um rebuliço enorme, como a queda vertiginosa do índice Dow Jones ocorrida nos três minutos após a mensagem falsa. O principal índice da Bolsa de Nova York caiu 100 pontos em dois minutos, entre as 13h08 e 13h10, pelo horário de Nova York, antes de o esclarecimento ser publicado. Nos mesmos dois minutos, o índice S&P 500 desvalorizou-se em 136 bilhões de dólares.

O ataque foi reivindicado por um grupo autointitulado Exército Eletrônico Sírio, com alguns ciberataques no “currículo” desde o início da guerra civil na Síria, com o propósito de defender o presidente Bashar al-Assad. No começo, a estratégia era encher as redes sociais de mensagens a favor do governo sírio e abarrotar as caixas de comentários de sites de notícias como o Daily Telegraph britânico ou a rede de tevê americana ABC. Com o tempo, os hackers do grupo ficaram mais sofisticados, entraram nas contas de Twitter do serviço de meteorologia da BBC e do programa noticioso americano 60 Minutes, até conseguirem espalhar o boato do ferimento de Obama pelo Twitter.

Entrevistado pela agência Reuters, o advogado Stewart Baker, especializado em ciber-segurança disse que a AP deveria ter se protegido melhor. “Deveriam ter senhas melhores, assim como o Twitter deveria já ter uma autenticação de dois fatores há meses. E o pessoal do mercado financeiro deveria pensar duas vezes antes de fazer negócios com base no que o Twitter diz. Isso é muito arriscado”, disse Baker.

O incidente demonstra, acima de tudo, ser possível fazer muito dinheiro com um boato “confirmado” por uma conta tão respeitada como a da AP. É só vender segundos antes do clique que derrubará as cotações.

O Google fez uma seleção criteriosa para encontrar os primeiros compradores dispostos a gastar 1,5 mil dólares para comprar o Glass, os óculos criados pelo site de buscas. Sua maior novidade: ser capaz de inserir informações em uma pequena tela, com o objetivo ambicioso de sobrepor todo tipo de informações ao mundo visto pelas lentes. Agora esses pioneiros descobriram que não podem sequer emprestar o aparelho para um amigo. Segundo os termos incluídos no contrato, “o Google reserva o direito de desligar o aparelho e nem você nem a pessoa não autorizada usando o aparelho terão direito a um reembolso, atendimento ao consumidor ou a usar a garantia do aparelho”.

Você compra o produto, mas ele continua como propriedade do Google.

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