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Yeda será decisiva no RS

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 29/03/2010 17h46, última modificação 07/09/2010 17h52
A governadora Yeda Crusius (PSDB) será decisiva nas próximas eleições para o governo do Estado

A governadora Yeda Crusius (PSDB) será decisiva nas próximas eleições para o governo do Estado. Desprezada pelos adversários, a tucana vem cavando uma trincheira que poderá, inclusive, dependendo da evolução do embate eleitoral, levá-la ao segundo turno. Depois de cometer todos os erros a que tinha direito, Yeda está se posicionando sob um terreno firme. E promete incomodar.

Esta semana, por exemplo, Yeda deve aprovar um pacote de bondades na Assembléia Legislativa, entre eles um "básico" de R$ 1.500,00 para os professores estaduais. A medida é recusada pelo Sindicato dos Professores, mas agrada a mais de 28 mil professores numa categoria de 90 mil membros.

As medidas positivas de final de governo (há quem diga que a conta será paga pelo futuro governador) se acrescentam viagens frequentes ao interior anunciando obras. Yeda, depois que contratou uma consultoria para gerir a sua crise, parece espelhar-se no modelo Lula de relação com a mídia. Todos os dias a governadora apresenta uma notícia positiva. E todas as negatividades passaram a ser tratadas por assessores hábeis e com grande jogo de cintura, a maioria oriundos dos quadros do PP gaúcho.

Os números não mentem

Em todas as pesquisas realizadas até agora sobre as eleições de 2010 no Rio Grande do Sul, a governadora Yeda Crusius aparece em terceiro lugar. Yeda faz algo próximo dos 10%, enquanto Tarso Genro (PT) vem em primeiro lugar, com cerca de 35%, e Fogaça (PMDB) aparece em segundo, com um índice por volta dos 30%.

Na última pesquisa que veio a público, realizada pelo Instituto Methodus por encomenda do PSB, Tarso aparece com 37,1%, Fogaça com 31,4% e Yeda com 9,7%. Mas é na espontânea, onde os números são mais consistentes, que Yeda revela sua potencialidade. A governadora aparece com 4%, enquanto Tarso tem 6,2% e Fogaça 7,3%. Ou seja, nos números que tem maior valor a esta altura da disputa, Yeda tem mais da metade que o primeiro colocado e quase dois terços do segundo. Em nenhuma eleição, este acúmulo pode ser desprezado.

Os motivos do desprezo

Yeda é considerada carta fora do baralho principalmente por causa de sua rejeição. Na pesquisa Methodus, a governadora é rejeitada por 55% dos eleitores. De fato, noutra pesquisa localizada a que tive acesso, Yeda aparece com números parecidos e seu governo tem apenas 20% de ótimo e bom. Todos os estatísticos e marketeiros sabem que um candidato, para almejar a reeleição, precisa pelo menos 40% de aprovação. Yeda, hoje, não teria, estatisticamente, nenhuma chance. Todavia, como é sabido, pesquisa não ganha eleição, e Yeda pode, sim, dar a volta por cima.

Outro motivo para a o desprezo quanto às possibilidades eleitorais da governadora seriam as suas bases de apoio. Filiada a um partido frágil no RS e eleita numa aliança com o DEM na vice governança (Paulo Feijó trabalhou até meses atrás para derrubá-la e tornar-se governador), Yeda comeu o pão que o diabo amassou. Agora, entretanto, parece ter encontrado um parceiro adequado. O PP gaúcho tem se mostrado disposto a dar apoio à candidatura de Yeda à reeleição. E o PP, diferentemente do PSDB, tem enraizamento e bases eleitorais fiéis em todo o estado.

Se a aprovação de Yeda de 20% de ótimo e bom indica que este é o seu mercado eleitoral, outro fator, além do apoio do PP, pode vir a lhe dar fôlego. Trata-se da candidatura nacional do PSDB à presidência. José Serra fez de tudo para evitar a candidatura de Yeda, mas não terá mais como evitá-la, principalmente no primeiro turno. E a candidatura de Serra, favorita no Rio Grande do Sul, tende a ampliar o mercado eleitoral de Yeda no RS. Ou seja, o que hoje parece ser seu teto - 20% de aprovação de seu governo - pode se tornar daqui a algumas semanas no seu piso. Yeda pode, sim, ir para o segundo turno.

Nada a perder

Uma fonte que tem acesso aos próceres do PMDB gaúcho afirma que, quando Yeda estava perdida, o senador Simon teria feito um acordo com a governadora. O PMDB daria sustentação ao seu governo, impediria seu impeachment, com a condição de que Yeda fosse candidata à reeleição. Simon, uma raposa da política gaúcha, já saberia que José Serra tentaria defenestrar a governadora, mas considerava essencial sua candidatura para o sucesso de seus planos: eleger o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, governador do Estado e derrotar o PT.

De fato, o raciocínio tem nexo. Caso Yeda saisse do páreo, o PMDB teria de passar a responder pelo governo na campanha. Uma polarização direta com o PT tornaria a tática do PMDB inviável. Além disso, forçaria a candidatura do PMDB a inflexionar à direita, quando o momento indicava a necessidade de fazer o inverso.

Não sei se o senador Simon arquitetou tudo isso, mas de fato o PMDB inflexionou à esquerda e atraiu o PDT. Esta semana, Fogaça renuncia à prefeitura de Porto Alegre para entrar em campanha numa dobrada com Pompeu de Matos (PDT), que até o ano passado manifestava preferência por uma aliança com Tarso Genro.

Nessa equação, Simon teria feito um lance de mestre, Mas na eleição passada, jogadas parecidas deram com os burros n'água: Yeda acabou eleita porque o eleitor fugiu ao controle dos magos da política gaúcha.

Como sempre nas eleições, o mais divertido é que o eleitor não é bobo. O eleitor, felizmente, sabe votar. Mesmo quando erra, como errou com Yeda.